E se, ao invés de Luis Suárez, fosse Mario Balotelli?

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Desde 12 de junho último, não se fala em outra coisa que não seja futebol. Óbvio, afinal de contas é Copa do Mundo, e no Brasil, o que é pior, ora bolas. A nossa mídia vã não tem se ocupado de outro assunto que não as disputas futebolísticas, o vaivém das seleções participantes, o dia a dia das estrelas do campeonato, as performances dos jogadores em campo, e até o bumbum de um atleta caiu na graça midiática e virou notícia.

Mas o que poucos esperavam, ou ao menos, imaginavam é que houvesse quem se utilizasse de métodos escalafobéticos (é este o termo, pois julgo impossível inferir outro diante tal atitude) na tentativa de auferir uma partida.

Pois é, o jogador da seleção uruguaia, um tale chamado Luis Suárez, num súbito ataque de fúria e total desagravo morde seu adversário em campo, o jogador da seleção italiana Giorgio Chiellini, no confronto entre Uruguai e Itália, realizada na última terça-feira.

 

Como era de se esperar, o caso ganhou notoriedade mundial e virou notícia. Bingo! E o que mais causou espanto foi saber que o dito cujo é reincidente em grotesca e violenta atitude, e, inclusive já foi notificado e punido anteriormente duas vezes.

A pressão da mídia cobrou notadamente uma posição da entidade organizadora do evento, a FIFA, que por sua vez se manifestou perante a atitude do canib…, ops!, jogador punindo-o com o afastamento do campeonato, suspensão por quatro meses de qualquer atividade ou evento ligado ao futebol. Além disso, está vetada sua presença em estádios durante qualquer partida.

Mas, para além do caso escandaloso da mordida do Suárez, há também notificações de insultos racistas desferidos por este em campo a outros jogadores de futebol negros. Coisas do tipo: “te chutei porque você é negro”, dito ao jogador francês Patrice Evra, lateral-esquerdo do Manchester United em partida deste clube contra o Liverpool, atual clube de Suárez, válida pela Premier League, a divisão de elite do futebol inglês.

Ou seja, a ficha técnica dele é muito mais suja do que se imaginava. Além de ataques físicos, ele é dado a ataques verbais envolvidos em insultos de puro ódio racial.

Essa mesma mídia que notificou o caso e cobrou uma atitude por parte da FIFA, deu vazão a outras interpretações a atitude do Suárez.

Essa mídia mórbida trouxe especialistas para averiguar a atitude do mordaz jogador, com fins de amenizar através da psicanálise seu trauma em mordedura. E o que me espanta é ligar a TV e ver um profissional sério, em tese, prestando o desserviço de dizer que sua atitude não passa de um trauma de infância não superado. Ou pior, que seu comportamento remete a alguma mazela da sua tenra idade que não foi vencida.

Perdoem as palavras, mas aqui cabe um PUTA QUE PARIU!!! (em caixa alta e com três interjeições)

As agressões racistóides e as mordidas lançadas contra os adversários do Suárez são amenizadas com suspensões em jogos, pagamento de multa em algumas migalhas de libras esterlinas e quem sabe até um tratamento psiquiátrico para o bom rapaz. Quando na verdade caberia uma punição mais contundente que o banisse de uma vez por todas da carreira futebolística.

Imaginem só se o mesmo comportamento hostil fosse praticado pelo jogador da seleção italiana, colega do Chiellini, Mario Balotelli. Aposto que a mídia justiceira que cobrou uma punição ao cão feroz seria a mesma a dar uma punição ao Balotelli, que, como todos sabem, é italiano, nascido em Gana.

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Caso Balotelli fosse adepto do mesmo comportamento, na melhor das intenções, seria tachado de canibal. A lógica racista e repudiada do Suárez se converteria em enxovalhamento público e descarado pela grande mídia, sendo capaz de veicular que tal postura não passa de canibalismo ganense que não se adequou aos ares d’Itália.

Milhares de memes de “tribos africanas” assando pessoas dentro de um caldeirão já teriam sido espalhadas no Facebook para associar o ato a supostas “ligações ancestrais” com pessoas habituadas a comer carne humana. A imagem de Balotelli já teria sido achincalhada publicamente de todas as formas, e eu duvido que apareceria um psicanalista para dizer que isso pode ter alguma ligação com algum trauma de infância não superado.

Eu no final das contas, ele é africano mesmo, o que se esperar dessa gente? (sic!)

E tanto incômodo advém do fato de Balotelli ser (…) “qualquer coisa, menos submisso. Indisciplinado, encrenqueiro, vaidoso. Um Simonal do calcio. Noel Gallagher, do Oasis, seu fã, o chamou de ‘rock-star moderno’. Anda de Ferrari, frequenta a noite, é mulherengo (teria brigado com a namorada Fanny Neguesha na véspera do confronto com o Uruguai). Ele só é tolerado porque faz gols. Quando não faz, quem precisa dele?

Engraçado ou estranho é ser tudo isso, e ainda por cima ser preto. PQP!!! Mas e se fosse o contrário? Se ele fosse branco, ao invés de “indisciplinado, encrenqueiro, vaidoso”, ele na verdade seria mais um de personalidade forte e, sobretudo autêntico. Pois estes são adjetivos atribuídos muito mais pelo tom de pele do que pelo caráter que alguém como Balotelli possa ter.

 

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