Resposta da autora do Escrevivência a algumas pessoas inconvenientes, grosseiras, mal-educadas e desavisadas

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O post de ontem “Bonde das Maravilhas, a sexualidade da mulher negra e a hipocrisia nossa de cada dia“, rendeu-me bons frutos. O sucesso foi além do esperado. Nenhum dos meus outros textos teve uma repercussão tão grande quanto este: 4.339 visualizações; 2.639 visitantes, 3.224 acessos ao post publicado, vindos do Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Portugal, México, Argentina, França, Itália, Canadá, Reino Unido, Espanha, Japão e Venezuela – e tudo isso só ontem!

Post do Bonde

E vocês, leitor@s, acompanharam nas redes sociais cada postagem que fiz, inclusive dos relatórios do número de acesso ao próprio post. E, com isso, algumas pessoas quiseram conhecer a autora do Escrevivência. Natural! Vários adicionamentos de pessoas que não sei de onde saíram, mas que curtiram a postagem. Achei super bacana. Eu só não contava com a indiscrição de algumas pessoas ao questionar a minha capacidade intelectual.

Colocar a autoria dos textos que eu escrevo e publico no meu blog sob suspeita é um pouco demais pra mim. O comprometimento com minha formação ultrapassa os limites do Ctrl+C e Ctrl+V, quiçá a hipótese de plágio.  É muito abuso! Como bem disse, esse processo está sendo construído a duras penas, e requer de mim um esforço imenso, para que possa me expor da maneira como venho me expondo através do Escrevivência.

Tudo que escrevo contará positiva ou negativamente à minha imagem. E quanto mais ofereço, mas serei cobrada. Esse é um preço alto que estou disposta a pagar.

Deste modo, não aceito que ninguém venha até mim, muito menos pessoas que eu nunca vi na vida questionar a fidedignidade dos meus posts. Se eu não admitiria que questionamentos desse tipo viessem de pessoas que eu conheço, não seria de uma pessoa que eu não sei nem de que buraco saiu que eu aceitaria isso.

Coisas do tipo: se escrevo de modo tão crítico, no mínimo devo ser filiada a alguma entidade do movimento negro, ou coisa do tipo. Ou até mesmo questionar a minha habilitação acadêmica. Pois, se há uma coisa que defendo de modo ferrenho é a minha formação como pedagoga. E por causa dela, eu me dou ao direito de agir com a minha criticidade totalmente permissiva ao meu processo formativo e acadêmico.

Eu só poderia pensar e discutir as coisas que eu discuto nos meus textos se fosse filiada a algum movimento organizado? Minha capacidade intelectual esta vinculada a uma organização política? É isso mesmo ou entendi errado?

E o meu direito de pensar livremente sobre assuntos que me atingem diretamente como pessoa, não entra em voga?

O fato de eu estudar Pedagogia não me dá o cabedal (ou o direito) suficiente para levantar aqui discussões como as que levanto, e de modo tão crítico? Por acaso, pedagoga não sabe pensar de modo crítico e contundente? Ou isso é uma idiossincrasia de quem estuda História, Filosofia, Antropologia, Sociologia ou congêneres?

Lembro que certa vez uma colega de curso, namorada de um amigo meu, jurou de pé junto pra ele que eu era estudante de História, por conta das coisas que abordava e gostava de estudar. (Eu defendo uma vertente da Pedagogia pouco adotada: uma pedagogia antirracista. Construtivismo, Behaviorismo, Piaget, Vygotsky, Wallon, Skinner… não me tomam. Eu não sei nada sobre essas coisas.) A criatura queria debater comigo sobre minha formação, e questionava-me: “Mas você não estuda História? Tem certeza?” Deu vontade de dizer à sujeita: “Não. Não tenho certeza. Quem estuda sou eu, mas eu não sei qual é o curso que eu faço. Quem sabe é você”. Como se estudar Pedagogia fosse uma coisa que eu fizesse quando estivesse enjoada de fumar maconha. Mas contive-me.

Essa não fora a primeira vez. Ultimamente tenho ido a arquivos fazer pesquisa para a minha monografia, e isso gera um estranhamento bastante incômodo em algumas pessoas: o fato de eu, como estudante de Pedagogia, estar mergulhada num acervo histórico. Como se isso não me fosse permitido. Certa vez, um cara vendo-me pesquisar documentos do século XIX veio perguntar o que estava fazendo. Quando disse, ele perguntou se eu era antropóloga. Eu, pacientemente, e mais uma vez, disse que não e qual era a minha formação. O sujeito ficou estatelado e boquiaberto sem saber o que dizer. Uma estudante de Pedagogia dentro de um arquivo histórico era algo que, para ele, não estava no domínio do inteligível.

Isso sem contar o número de vezes em que tive de explicar pacientemente que estudo Pedagogia, não História ou Antropologia.

Perceberam o estranhamento perante a definição de lugar que alguns devem ocupar? Estudar Pedagogia é algo que faço por prazer, e por isso, posso dá-la a vertente que mais me identifico. Que bom que isso é permitido, ainda! Apesar da grande quantidade de gente tentando me desencorajar a fazer isso, eu sigo em frente. Pois a uma pedagoga não é concedido o direito de gostar de ler, estudar, pesquisar, muito menos de pensar, e tão criticamente como eu penso.

Deste modo, resolvi mais uma vez me expor e dizer para alguns desavisados que minha formação é qualificada. Exijo de mim o maior grau de excelência que posso dar. Não estou aqui de passagem, ou até mesmo, vislumbrada com esse modismo bloguístico.

Todas as vezes que me apresento, faço isso com nome e sobrenome. Sei onde estou e para onde quero ir.

No mais, é só.

Segue abaixo trechos de uma conversa no Facebook com um sujeito que eu não sei de onde veio e que me adicionou à sua rede de contatos, mas teve a infelicidade e indiscrição de questionar-me sobre a autoria dos meus textos. Tão logo, julguei necessário escrever esse post aos demais desavisados.

PARTE 1Parte 1

 

PARTE 2

Parte 2

 

PARTE 3

Parte 3

 

PARTE 4

Parte 4

 

PARTE 5

Parte 5

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  1. Pingback: Quando me descobri feminista | Escrevivência

  2. Paula, seu blog é sensacional, meus parabéns! Como você escreve e expõe bem suas opiniões, é inteligentíssima! Venho fazer uma sugestão. Acabei de baixar e assistir o filme Django Livre, de Quentin Tarantino. Gostaria imensamente de ler sua opinião sobre o filme. Acredito que, vinda de você, resultará numa resenha incrível. Abraços!

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