Pelo direito de ser fútil

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Eu tô de férias. Quero uma vida fútil por um mês.

Acabei de findar um semestre na faculdade extremamente cansativo e denso. Estudar nas férias de dezembro e janeiro não é nem um pouco agradável, e no mês do carnaval, então? Nem me fale. Passei por tudo isso nesse semestre. E o pior de tudo foi ir à faculdade numa Salvador de 30ºC com sensação térmica de 50ºC!

E esse ano, pela primeira vez desde quando ingressei na faculdade, em 2009, realizei a proeza de conciliar férias da “facul” com as férias do trabalho. Ainda que não seja para minha alegria, pois tenho um acervo documental para pesquisar, em no mínimo três arquivos diferentes, durante esse mês de abril insosso por natureza, além de dez livros que estão na fila esperando para serem lidos e fichados. Essa é a fase pré-monográfica e dura de viver. Um saco!  Foi pra isso que tirei férias do trabalho. Mas deixemos isso pra lá.

O que tenho a dizer mesmo é que tô de saco cheio de bancar esse gênio intelectualóide da mocinha que tem orgasmos quando adentra uma livraria, que assiste filmes de cunho educativo, e aos poucos perde a sensatez de assistir um besteirol na TV (haverá quem diga que isso não é perda de sensatez), que ao invés de ter uma estante cheinha de bonequinhos de louça e biscuit em casa, tem uma estante de livros, e que passa horas e mais horas lendo e analisando livros, artigos e congêneres, e assistindo a documentários, dentre outros materiais que possam surgir, como se aquilo fosse parte das atividades acadêmicas que tenho de cumprir, mas na verdade não é. Parte mesmo de um anseio voraz por conhecimento. E o que é pior, as pessoas acharem que só porque eu estou na U N I V E R S I D A D E,  sei explicar todos os fenômenos climáticos, atemporais, hermenêuticos, propedêuticos, epistemológicos, gnosiológicos, ontológicos, fenomenológicos e onomasiológicos que acontecem nesse mundo.

Tô de saco cheio do trabalho medíocre que faço. Que não me edifica e não o largo por não ter outra fonte de renda segura e que possa manter-me na faculdade. E por falar em faculdade, já pensei em abandoná-la também, sabe? Largar sem culpa, sem medo de ser feliz. Sem sofrer as consequências de abandonar o ensino superior e ter de viver numa central telefônica trabalhando como atendente de telemarketing (tenho pânico só de pensar nessa possibilidade).

Pra falar a verdade, tô cansada dessa vida de acordar às cinco da manhã todos os dias, ir à faculdade, pegar ônibus lotado e passar em média duas horas e meia num engarrafamento (em dias normais, porque a situação atípica é eu chegar à faculdade em uma hora e vinte), não ter horário de almoço, e muitas vezes contentar-me com um sanduíche vagabundo dessas lojas de fast-food que tem por aí, e ter de sair correndo pra um trabalho que fica no além do quinto dos infernos, e que ainda por cima, não me apetece. E depois dessa trajetória épica, chegar em casa pra lá das dez e meia da noite e ajeitar as coisas para, no dia seguinte, começar tudo de novo – e ainda por cima ter de dormir pra lá de meia noite, uma hora da manhã. Ou seja, a quantidade de horas que durmo diariamente (média de cinco, quatro horas e meia) é inferior ao que um adulto da minha idade necessita para ter uma vida saudável (oito horas de sono). Cansei!

Quero, nesse mês de férias, ser totalmente fútil. CharutosQuero rever meus amigos de longa data que há tempo não vejo, tomar cerveja com algumas figuras cativas e agradáveis, pelas quais tenho imenso carinho. Comida ChinesaQuero comer comida chinesa e fazer uma sessão de vinho, charuto e petiscos veganos aqui em casa. Quero ouvir som no último volume e incomodar a vizinha, que por sinal, é chata pacas. Quero falar e rir alto das bobagens que digo. Charutos e VinhosQuero mudar a cor do cabelo, depilar, pintar as unhas de vermelho, pôr um salto alto, comprar um batom rosa pink, mais rosa do que o que já tenho em casa, comprar uma bolsa, roupas novas e um vestido longo da Negrif que custa nada mais, nada menos que R$130,00, quando eu sei que essa grana podia me render outras peças cosidas por uma costureira de bairro, que me cobraria exatamente esse valor por meia dúzia de vestidos. Quero o direito de me expor ao ridículo e sem me sentir constrangida por conta disso.

619-02273330Ah! Quero também ir à ilha, pegar um sol “magavilhoso”, voltar bronzeada com minha marquinha de biquíni e depois pôr uma blusa tomara-que-caia para exibir minha marca. Adolo! Quero me sentir poderosa.Marca de Biquini

Hoje, dia dez de abril, é meu primeiro dia das férias do trabalho, e passo pelo constrangimento de ser importunada vááááriaaasss vezes pela chefe, que não sabe onde se situa nada e pensa que eu sou o GPS do trampo. Confesso que hoje me senti uma prostituta pelo fato de receber ligações intermitentes que solicitavam a minha presença…. no trabalho (“eu preciso de você aqui na escola AGORA!”). Pode isso? Sou o que mesmo? Eu tô de férias, caralho. Te vira!

Acho que eu quero mesmo é um trabalho medíocre, num lugarzinho de merda, que possa pagar-me o suficiente para sustentar esses pequenos surtos de luxuosidade dos quais falei anteriormente.

Na verdade, quero viver de escrever. Tenho muito mais tesão em fazer isso do que executar meras atividades burocráticas e levar essa vida de cão.

Pronto. Falei.

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  1. Oi Querida Paula!Fico contente por vc! Aproveite suas férias, ou digo melhor: aproveite a faculdade pq o lado de cá não esta muito bom pra mim. Sinceramente se eu tivesse a cabeça q eu tenho hj não ficaria tanto tempo na faculdade pq o salário não compensa. Quando eu era estagiária extravasei mesmo pq eu podia, comprava oq eu queria, fazia as minhas farras, me embelezava rsrs..mas hj os tempos são outros,mas enfim, curta o seu presente e aproveite as suas férias, qualquer coisa estamos aí, bjokas lindona

  2. Nossa to assim super feliz por ti, desabafar engrandece a alma kkkkkkkkkkkkkkkkk sabe Paula to na fase de ler os Clássicos da literatura pra “ganhar pontos de cultura” com as pessoas antenas com a “boa cultura” kkkkkkkkkkkkkkkkkk e os artigos acadêmicos leu no sofá mesmo os assuntos que me interessam e os autores citados somem da minha mente na pagina seguinte, fica a ideia. Gosto de “Lagoa Azul” e assisti quantas vezes passar junto com a seção “Crepúsculo” e que se dane “A Lista de … ( como mesmo que escreve)” kkkk pois é não sei ingles e detesto não sei se quero e se vou aprender. Paulinha to na vida pra ser, não fútil como voce esta dizendo, mais minimamente livre e feliz, assim como voce deve esta agora! curta muito.

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