Por que eu acredito na educação

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Pessoas, quero conversar mais uma vez com vocês, queridas (os) apreciadoras (es) dos meus escritos. Confesso que fiz os meus últimos escritos num momento de fúria, de raiva extrema, em que algo ou alguém feriu meus brios, e a única forma que encontrei de desabafar foi escrevendo aqui tudo que acreditava ser coerente ao que defendo, ao que vivo, estudo e a quem represento nessa minha luta diária pela sobrevivência. Sim, porque viver é para poucos e sobreviver é a nossa missão diante da miséria na qual nos encontramos. Infelizmente. Porque um dia alguém me disse que o sol é pra todos, mas a sombra, essa sim, é pra os mais espertos. Achei um pouco injusto quando ouvi, mas diante das dimensões do mundo capitalista do qual fazemos parte, vejo que isso deixa de ser uma ideia para se constatar num fato. Enfim, mas é sobre outra coisa que quero falar.

Como sabem, sou estudante de Pedagogia, e há tempo sinto a necessidade de falar sobre educação sob a minha ótica pedagógica. Falo de tanta coisa aqui nesse meu diário de bordo – racismo, machismo, televisão, misoginia, prostituição, consumismo, preservação dos animais, globalização, sistema de cotas – e constatei que ainda não havia falado sobre educação tão objetivamente quanto necessário como farei nesse post.

A princípio, vou relatar uma situação que aconteceu comigo durante uma atividade de estágio numa escola pública da Rede Municipal de Ensino de Salvador.

Ano passado, fui visitar a escola na qual faria minha observação/intervenção pedagógica e enquanto esperava na diretoria por alguém responsável pela Unidade Escolar que me atendesse, no caso a diretora, eu presenciei uma situação cotidiana ao ambiente e que despertou extrema estranheza à postura docente que vi naquele espaço. Antes de tudo, não quero aqui apontar posturas certas e erradas exercidas pelas professoras e doravante sugerir um novo modelo a ser seguido. Só tive a necessidade de relatar o que vi, pois como estou em processo de formação, achei importante, a fim de que percebamos todos os dias como nossa postura pode interferir na vida de um estudante, e a depender de como agimos, isso pode trazer malefício e/ou benefícios à sua vida escolar. A nossa postura em sala de aula não é e nem deverá ser isenta, pois não é possível educar ninguém sem assumir uma determinada postura política, como bem disse Moacir Gadotti neste trecho:

Educados que fomos numa pedagogia na qual nos era proibido relacionar o ato pedagógico ao ato político, estamos poucos acostumados à esse tipo de análise. Preferimos ignorá-la. Se educar é conscientizar, a educação é um ato essencialmente político. Portanto ninguém educa ninguém sem uma proposta política, seja qual for (grifos do autor).[1]

Essas observações não estão alheias à minha formação acadêmica. Digo isso por conta do compromisso social que pretendo ter com a educação, do papel que pretendo representar diante do trabalho que viso exercer. Há quem ache que tudo isso não passe de um monte de baboseira influenciada por alguma corrente pedagógica que defendo (houve até quem me dissesse que eu esquecerei tudo isso quando estiver atuando profissionalmente, pois todas essas coisas não passam de “panfletagem universitária”). Vos digo que depois que vocês lerem o livro Quando Eu Voltar a Ser Criança, de Janusz Korczak, dentre outros que têm contribuído para a visão que tenho sobre o ato de educar, vocês entenderão o que falo.

Prossigamos, pois constatarei o que quero, de fato, esclarecer nas linhas adiante.

Voltemos à visita à escola. Quando cheguei lá, pude presenciar uma situação em que um estudante se encontrava transtornado, com um comportamento tido como “agressivo”, pois ele já tinha gritado e agredido fisicamente a professora e os colegas da turma, xingado os funcionários da escola, inclusive a vice-diretora. E ele estava mesmo destinado a não conversar com ninguém diante do que havia ocorrido, visto que ele estava na direção da escola para receber uma punição diante do comportamento que tivera momentos antes. Afinal de contas, levar punição pra casa é saber que será punido duas vezes.

Enquanto esse caos havia se instaurado, o vigilante, a funcionária da limpeza, o auxiliar de secretaria e demais resolveram  condenar o garoto. Cada um dava um parecer diferente e hostil, é claro, do “dito-cujo”. Fique estupefata com o que estava acontecendo diante de mim e indignada com a postura do tal menino. Não conseguia conectar uma coisa a outra. Mas fiquei curiosa para saber o que acontecia e quais motivos o levaram a estar tão arredio com todos à sua volta.

Resolvi bancar a bisbilhoteira. Já tinha até esquecido o que teria ido fazer na bendita escola. Fui falar com ele e saber por que se comportava daquele jeito. Não deu outra. Fui completamente ignorada, enquanto era advertida pelos funcionários da escola que o deixasse de lado, porque ele era “mal-educado” assim mesmo. Ataquei de pentelha. Queria saber ao menos o seu nome, sua idade, sua série e o que tinha acontecido. Muita pergunta pra quem não queria falar, estava sendo condenado, e ainda chorava de ódio. Enfim, insisti. O chamei para irmos à secretaria da escola beber uma água, tentar se acalmar e sentar um pouco para aguardar a diretora da escola, a mãe dele que em casa já havia sido acionada para comparecer à escola. E o garoto (M.S.D., 9 anos) me ouviu. Resolveu me acompanhar, ainda com muita resistência, com a cara fechada e resmungando às minhas perguntas.

M.S.D. sentou-se na cadeira próximo da mesa onde eu também aguardava e começamos a conversar. Em prantos, ele me dizia que estava na sala fazendo atividade e numa brincadeira o colega começou a brigar com ele, o que acabou numa confusão na sala de aula, em que a professora o expulsou da sala e mandou que chamassem sua mãe para conversarem. Eu, ouvindo seu relato, tentei saber por que ele estava daquele jeito, tinha xingado às pessoas e estava com a cara tão fechada, visto que era um garoto tão bonito. Nesse meio tempo, percebi que ele estava com a mochila e uns papéis na mão, e vi que eram alguns desenhos. Perguntei se era ele que os haviam feito. M.S.D. disse que sim e então, pedi para vê-los. Ele me mostrou e vi que eram desenhos ótimos e de personagens de animações japonesas que os garotos adoram. Questionei se era ele quem havia feito aquele. Ele disse que sim, com a ajuda do seu irmão, e que ele tinha aprendido a desenhar com seu irmão. Aí foi que resolvi, de fato, testá-lo. Pedi para que fizesse um desenho meu, ali, naquela hora. M.S.D., não garantia, mas topava fazer, até porque ele nunca havia desenhado ninguém, só personagens de desenhos animados, mas tentaria.

Pediu para que eu ficasse numa posição em que ele pudesse pegar os meus detalhes, e não se mexesse. Foi o que fiz. Senti-me uma Monalisa posando para Da Vinci. Ninguém nunca tinha feito um desenho meu! Aqui estão os desenhos que ele fez e me deu de presente.

Depois de tanta conversa, chega a mãe de M.S.D. para saber o que havia acontecido com seu filho de novo, já que aquela não era a primeira vez que ela recebia queixas do garoto. Enquanto isso, alguém mandou chamar a professora para que esclarecesse o que havia se passado e viesse conversar com a mãe de seu estudante.

Alguns trechos da conversa da professora com a mãe de M.S.D. que registrei enquanto aguardava alguém me atender nesse meio tempo:

– “Eu estou aqui para ensinar a leitura, a escrita, a ele “ser alguém na vida” e não ficar tomando empurrão de aluno. Eu não vou deixar um menino desse tamanho vim pra cá me bater.

– Chame J. (estudante) para falar aqui sobre o que aconteceu em sala.

M.S.D. se dirige à professora e esta o corrige:

– Você não, senhora!

– Ele não respeita ninguém. É uma valentia, minha senhora. Inclusive porque se ele continuar nessa valentia toda, não sei não. Isso é pra segurança dele.

– Eu não tô ganhando pra apanhar de aluno. Tô ensinando você a ser alguém no futuro.”

A mãe questiona sobre o que aconteceu em sala que provocou esse tipo de comportamento por parte do seu filho.

– “Ele está proibido de merendar por uma semana. Ordem da vice-direção devido à guerra de comida que outros estudantes e ele fazem em sala. Ele xinga auxiliar, diz que agredirá professora, vice-diretora, diretora.

– Por causa da valentia, tem muito valente embaixo do chão.

– Posso falar? (M.S.D. pede)

– E no dia que você me chamou de desgraça?”

(A professora diz que estava trabalhando um texto na sala e que os alunos começaram a bagunçar falando coisas como “pica, miséria” e ela resolveu parar para explicar o significado de cada uma dessas palavras).

Diante do exposto, fiquei sem palavras. Não sabia direito o que se passava diante de tudo o que havia visto. Eu fiquei estupefata, indignada, boquiaberta, até meio abobalhada com o relato da professora em relação ao garoto que há pouco instante estava conversando comigo e tinha até feito um desenho meu demonstrando seu talento e seu lado artístico para um garoto que “não fazia e nem queria nada com a hora do Brasil”. Achei estranho aquilo. Será que era loucura demais ou ele era bipolar? Uma hora se comportava de um jeito agressivo e em segundos estava amável que nem parecia. Não sei.

Depois, todos retomaram sua rotina, a professora voltou para sala, M.S.D. foi liberado para casa juntamente com sua mãe e eu fiquei tentando entender por que a professora havia falado tanta coisa dele que eu até então tentava conectar com os poucos instantes em que conversamos.

Fui o que resolvi fazer. Será que ele é um garoto tão “problemático” assim que não tenha mais jeito? Ele de verdade é um caso perdido, metido a valente e que não quer saber de estudar, e só quer arrumar confusão? Um estudante “que não quer nada”? E seu lado artístico já fora explorado em sala com atividades criativas? Depois de virem o desenho que ele fez de mim, será mesmo que ele não tem nenhuma habilidade a ser explorada em atividades em sala, no mar dessas habilidades e competências a serem alcançadas pelos estudantes no novo modelo educacional? M.S.D. tem uma noção ótima de perspectiva. Além de me desenhar, ele se desenhou me desenhando. Parece redundância? Voltem à imagem e tirem as suas conclusões.

Esse mar de questionamentos me assolou durante uma semana após a visita a essa escola.

Situações como essa, infelizmente, presenciamos corriqueiramente. Isso porque pretensamente queremos ter em sala garotos e garotas perfeitas, comportadinhas (os) e que obedeçam nossas ordens sempre. Sabe aquele lance “tudo o que meu mestre mandar”? É disso que falo. Situações como essas me fazem lembrar o vídeo Another Brick in the Wall, da banda Pink Floyd. Dêem uma olhada nele e saberão do que estou falando.

Será que essa professora algum dia parou para rever sua postura docente e averiguar por que todos os dias aquele menino “arrumava” confusão em sala “sem motivos”? Não estou aqui dizendo que temos a função missionária de salvar a vida dos alunos. Não é isso. Até porque acredito que só posso fazer um bom trabalho se o estudante quiser e se propor a aceitar as interferências que farei com meu trabalho no seu cotidiano. Caso contrário, nada feito.

Mas ela não podia tentar fazer o mínimo de esforço e querer mudar o cenário de uma educação precária, numa escola que não é atraente aos estudantes e não oferece o mínimo de condições para que se almejem condições melhores de vida? Digo isso porque sou oriunda de escola pública e presencio diariamente o cotidiano desta, e sei que, para o estudante, é muito mais atraente ir a uma lan-house ejogar Counter Strike a tarde toda do que ficar na escola ouvindo aquela professora chata falar por quatro horas ou mais e não ter sequer um espaço para o intervalo, uma vez que a escola não tem espaço adequado (a maioria delas, especialmente as da rede municipal, funciona em espaços alugados, mal-adaptados e/ou improvisados), quem dirá área recreativa. Não há biblioteca, brinquedoteca, sala de vídeo. Não há merenda de qualidade (às vezes, nem sem qualidade), porque é isso que garante a presença de muitos estudantes. Quando chove a sala de aula fica alagada. Não há água, sabão e papel higiênico para que se possa usar dignamente um sanitário, sem contar os outros problemas que estão presentes neste espaço que, por ser público, é tratado como se não fosse de ninguém. Então pra que valorizar, pra que cuidar? Não é meu mesmo!

Será que se ela tivesse um M.S.D. numa dessas escolas convencionais da rede privada, e de preferência confessional, essa professora teria a mesma postura?

Não quero colocar ninguém na berlinda. Só quero que constatem a relação posta entre o público e o privado e o trabalho de alguns professores na esfera pública, que é o espaço que vivencio. De nada adiantaria tratar esse caso como individual, como um problema exclusivo dessa professora, pois não é. Postura desse tipo é comum entre as profissionais da rede. Achar que exonerá-la resolveria o problema seria uma tolice da minha parte. Infelizmente, ela não é a única a manter esse comportamento.

*          *          *

Agora, quero falar de outra vertente presente no espaço público e do trabalho desenvolvido por alguns professores neste mesmo espaço. Pra vocês não acharem que só aponto críticas negativas deste espaço que tanto prezo.

No meu último post, falei sobre o sistema de cotas no Brasil e o significado de seu efeito na vida escolar de uma pessoa que é oriunda de uma classe social que é esmagada “tratoralmente”. E este me rendeu comentários. Um deles, inclusive, do professor Fábio Valente de Moraes, que leciona no Colégio Sara Kertész, localizado no Alto de Santa Terezinha, subúrbio ferroviário de Salvador, pertencente à Rede Pública Estadual de Ensino.

A fim de situar o contexto do que venho falando, vou explicar. Num post anterior recebi comentários de estudantes do professor Fábio, que utilizou meus escritos como material de aula. Fiquei extremamente lisonjeada com os comentários e mais ainda por saber da proposta da atividade, que era fazer uma resenha crítica do texto Meu cabelo, o racismo e o mito da caverna. Jamais pensei que meus escritos pudessem tomar a dimensão que tomaram: de ser utilizado como material de aula na rede regular de ensino, muito menos de que as minhas palavras exercessem um aspecto positivo na vida das pessoas que o leram. Recebi comentários no post, nas redes sociais e sites de relacionamentos dos quais participo.

O que quero abordar com isso é o fato do professor Fábio Valente desenvolver um trabalho bacana na escola em que leciona e acreditar na educação pública como algo que possa transformar a vida das pessoas que lá se encontram. Isso porque muitos dos estudantes dele, assim como todos os estudantes da rede pública, são vistos como reles mortais a serem execrados da sociedade rapidamente sem ter a menor chance de cogitarem qualquer outra possibilidade de mudança nas suas vidas ou almejarem coisa melhor (isso quando eles são vistos, pois, na maior parte do tempo, eles e elas são tratadas como pessoas invisíveis).

Essas pessoas estão fadadas a viverem subalternizadas pelo resto da vida, a ocuparem postos de trabalhos de subserviência que serão herdados dos seus predecessores. É este o horizonte que lhes são apresentados todos os dias quando alguém vos diz que não podem chegar lá, que não têm futuro, e que aquele “bondoso” professor está lá para ensiná-los a ser “alguém na vida”. Como se o fato de terem nascido já não os tornassem alguém com a mínima dignidade para viver.

Será mesmo que nessas escolas não há pessoas que sonham em mudar de vida, ter uma vida melhor, ter condições mínimas de alcançarem o que tanto desejam, ou até mesmo, sonharem com um pouco de dignidade que lhe restam?

Será que essas escolas nada mais são do que depósitos de gente desinteressada, e que por não terem mais nada o que fazer da vida, visto que não tem sequer acesso ao lazer, vão pra escola pra passarem o tempo porque cansaram de ficar em casa vendo novela?

É nessa merda que querem nos fazer acreditar todos os dias, quando nos dizem que esses estudantes de hoje não querem nada, esse povo não quer saber de estudar, só quer saber de vadiagem. Nos fazem constatar isso quando o noticiário nos aponta dados e estatísticas de que colégios estão jogados ao abandono por falta de estudantes. Quando dizem que o Colégio Central da Bahia está quase fechando por falta de público, sendo que em tempos passados este já foi referência no estado. Já abrigou nomes importantes, inclusive, do cenário político baiano. É isso que tentam nos impor. É essa a ideia que tentam nos incutir acerca da escola pública e dos estudantes que lá se encontram.

Será que alguém já se deu ao trabalho de questionar por que as escolas públicas estão sucateadas? Por que os professores são os profissionais de nível universitário que recebem os menores salários no Brasil? Por que as escolas públicas estão esvaziadas e os presídios estão superlotados? Do sucateamento presente neste espaço e do descaso de entidades do governo quanto à manutenção e preservação desse espaço, tendo em vista o trabalho que professores como Fábio Valente desenvolve? Não, né? Claro! E por que cargas d’água alguém se daria trabalho de valorizar um espaço que por uma questão ínfima de tempo não existirá mais?

É esse o questionamento que me assola todos os dias, ao afirmar veementemente que acredito na educação pública de qualidade e nos reparos que esta deve ter, bem como da valorização que o corpo docente precisa ter, para que possam ter condições mínimas e necessárias de desenvolverem um bom trabalho. Porque se o professor Fábio Valente de Moraes, do Colégio Sara Kertész, situada no subúrbio ferroviário de Salvador, desenvolve esse trabalho com seus estudantes das séries que vão do 6º ano de escolarização a EJA (Educação de Jovens e Adultos), imagine o que aconteceria se lhe fossem dadas condições necessárias para a realização de um bom trabalho.

É também por isso que continuo a defender essa educação. Porque sei que professores como este, com seu trabalho de conscientização política, que reconhece a função social do seu trabalho levará muitos jovens do Rio Sena e do Alto da Terezinha às universidades públicas, que são seu lugar de direito. Espero em vida ver muitos desses jovens nos PAF (Pavilhões de Aulas da Federação) da UFBA (Universidade Federal da Bahia), sim.

Vejam um pouco mais do trabalho do professor Fábio no vídeo abaixo, produzido por ele mesmo.

Agora, imaginem o esforço dobrado que professores dos quilombos educacionais (Instituto Cultural Steve Biko, COE-Quilombo, Bahia Street, Quilombo Ilha, Quilombo do Orobu, Bakhita) fazem para garantir esse acesso à educação, e tentar reparar os efeitos da péssima educação que seus estudantes têm acesso. Porque vocês hão de convir que fazer em oito meses o que deveria ter sido feito em onze anos é uma tarefa árdua e penosa. Mas, se o pessoal, trabalhando em regime de voluntariado, em espaços cedidos ou alugados, enfrentando todas as dificuldades possíveis e existentes (sendo a maior delas a descrença dos próprios estudantes nos seus potenciais), consegue fazer com que essa galera ingresse em Direito, Engenharia, Medicina, com alguns deles indo até estudar fora do Brasil, tentem imaginar o que aconteceria se essa equipe pudesse fazer esse trabalho dentro das escolas públicas baianas.

É por isso que educação não é, nunca foi, e dificilmente será prioridade nesse país.

P.S.: minha sogra voltou a estudar em 2009 na EJA (com todo o descaso que lhe é dispensado pelo corpo docente e pela direção da escola), depois de estar afastada por trinta e quatro anos da escola por ter sido obrigada a trabalhar para sustentar os filhos.  Em 2011, fez cursinho pré-vestibular no Instituto Cultural Steve Biko. Prestou vestibular para UFBA e obteve aprovação para o curso de Ciências Sociais.


[1] GADOTTI, Moacir. Educação e Poder – Introdução à Pedagogia do Conflito. 11ª edição – São Paulo: Cortez, 1998, p. 78.

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  1. olá Paula, Sou Edilton Ferreira aluno de Fábio Valente, conseguir entrar na Ufba, sempre tenho aulas no Paf. III.

    • Oi Edilton,

      Não sabes como me deixa feliz com essa notícia. Estamos no caminho certo.

      Fico feliz que está na UFBA ocupando mais esse espaço de poder, sentando na cadeira na intelectualidade baiana.

      Sucesso e parabéns por mais essa conquista.

      Vida longa e ocupe a UFBA em todos os espaços que lhe forem necessários. Tenho certeza de que fará uma boa formação.

      Abç

  2. Olá Paula.
    Conheci o seu blog há pouco tempo e já estou encantada com a sua garra e dedicação em contribuir com seus conhecimentos acadêmicos e de vivência conosco. Fico feliz mais ainda em saber que o meu professor foi citado em sua página, realmente ele é um SER TRANSFORMADOR na vida de todos os alunos que tem a felicidade de conviver e absorver um pouco do seu vasto conhecimento. Infelizmente é notório que ele é um dos poucos que acreditam na educação e vê no ensino a única forma de mudança e transformação.

  3. Paula,

    parabéns pela grandiosidade do seu texto e obrigado por compartilhar o trabalho que desenvolvemos no Colégio Sara com outras pessoas também preocupadas com a Educação Pública.

    O vídeo “Sonhos” é resultado de um trabalho coletivo, é fruto da minha insistência, da sensibilidade musical da minha companheira e, principalmente, da coragem de estudantes estigmatizados.
    A mesma escola que permite perspectivas é a que aniquila as aspirações: essa dicotomia me acompanha e todo tempo ronda meu trabalho, é a partir dela que procuro sempre as palavras certas, os bons exemplos, o equilíbrio, a humildade e a capacidade de, por 15 anos, escutar palavras negativas, desestímulos, e conseguir sobreviver mantendo uma integridade que não comprometa a minha relação com pessoas cujos sonhos estão sob minha responsabilidade.

    Um dia escutei de uma coordenadora pedagógica em determinada escola que trabalhei: “ser médico é muito mais difícil do que ser professor…o médico lida com vida!”
    Eu respondi: “e o professor lida com vidas, no plural, e nosso bisturi assassino ou salvador são as nossas palavras…elas podem chacinar um turma inteira de estudantes ou lhes revelar o futuro!”

    Mais uma vez, obrigado. Agradeço em nome de todas e de todos que, juntos comigo lá na escola (especialmente minas alunas, meus alunos e algumas poucas colegas), ainda acreditam na solidariedade e ainda possuem utopias.

    Grande abraço

    P.S. Sobre utopias, penso que vale a pena ver e escutar Eduardo Galeano (no YouTube, Eduardo Galeano: Sangue Latino).

  4. Gostei do texto. O incidente vivenciado por você nessa escola é triste, mas não me espantou já aconteceu comigo em uma escola estadual onde matriculei meu filho, ele estava faltando aula fui à referida escola por minha conta verificar. Procurei à coordenadora e quem se apresentou foi a “Vice – Diretora” expliquei para ela o motivo da minha visita e a mesma e eu andando pelos corredores foi logo me dizendo: Já sei até quem é ele bagunceiro, não quer nada, já estou a ponto de tomar uma decisão com ele.
    Fiquei calada ,perplexa porque não julgava que além das faltas ele tivesse chegado a aquele nivel. Quando chegamos a secretaria e ela verificou que o aluno a quem ela se referiu de maneira tão hostil não era o meu filho me pediu desculpas várias vezes e acabou dizendo.”ele é um ótimo aluno não sei porque está fazendo isso”.A postura da vice do meu filho ha dezoito anos passados e a dessa professora em 2011 é a mesma.
    Em relação ao video produzido pelo professor Fábio Valente fiquei emocionada pois eu estava me vendo entre aqueles alunos,aquela foi a minha trajetória até chegar à vitória.
    O filho que eu me refiro hoje tem: Trinta e Dois Anos é Formado em História pela UFBA e foi juntamente com você Paula grandes incentivadores do meu sucesso.
    Obrigada!

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