Quem são nossos verdadeiros ídolos?

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Como sempre fuçando a internet, acessando sites de notícias, jornais, blogs e tantas outras ferramentas virtuais que a internet pode nos oferecer é que acessei um portal de notícias, o qual acompanho faz um tempo e vi uma nota falando sobre os dois anos de morte do grande ídolo Michael Jackson. Confesso que fique estupefata com o que vi, aliás, sobre quem vi. Porque anteontem fez dez anos de morte de Milton Santos, grande geógrafo brasileiro e ontem fez dois anos de morte de Michael Jackson (o astro). O que Michael Jackson fez mesmo, hein? Um cara que renegou o quanto pôde a sua negritude! Por que dar destaque a um ídolo estrangeiro e silenciar cerimoniosamente para um dos grandes ícones da nossa intelectualidade? Ver que o Instituto Geledés deu destaque a um homem que renegou a sua negritude em detrimento de outro que dedicou a vida a denunciar as atrocidades cometidas pelo globaritarismo contra os países pobres e suas populações me pareceu um pouco contraditório.

Muito me admira um Portal como este, que dá informes sobre eventos de combate ao racismo, condena atos de discriminação racial, traz notas interessantes sobre como lidar com este assunto, fornece material de apoio às questões afrodescendentes, privilegia certos ídolos os quais sabemos não ter coerência com nossa luta. E ainda que o queiram ressignificá-lo, não acrescentam valores nem méritos ao povo negro.

Qual foi a contribuição que Michael Jackson deixou para que pensemos em atributos sociais, morais e que valorizem o indivíduo no seu coletivo?

Esta idolatria padronizada e idiotizada que a mídia veicula, a fim de limitar nosso acesso a bens culturais mais valiosos é que na verdade tem vedado a nossa apreciação de quem são nossos verdadeiros ídolos.

Entender porque astros como Michael Jackson e tantos outros, que nada tem a ver com nossa realidade, são noticiados o tempo todo nas grandes redes de notícias é fácil. Basta olhar qual foi o legado histórico que este deixou e que nos impõe como útil.

Não nos parece interessante falar de Milton Santos, um geógrafo com um trabalho esplêndido sobre o mundo e os efeitos destrutivos da globalização. Que teve notoriedade internacional com seu trabalho, pela desenvoltura particular que detinha para falar de assuntos que muitos queriam negar.

E continua não sendo interessante ressaltar a importância de pessoas como Milton Santos, dentre outros, para o público em geral. É salutar falar de Michael Jackson, o grande astro da música norte americana. Afinal de contas, determinam nossos ídolos sem o nosso consentimento para que não possamos de fato perceber o que está por trás das cortinas deste grande palco chamado sociedade.

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Uma resposta »

  1. Aninha,

    Admiro o artista Michael Jackson e creio que a maioria dos seus fãs também o apreciam somente pela sua arte. Eu, particularmente, desconhecia a vida pessoal dele e a qual também nunca me interessou. Entendo o seu questionamento, mas vejo que tanto o Michael quanto o Milton trouxeram seus beneícios à sociedade cada um no seu campo de atuação. A notoriedade vivida pelo Michael vale-se pelo o que o show business atual valoriza. Não esquenta minha amiga!!! No final de tudo, somente os grandes feitos superam o passar do anos.

    P.S.: Ah, parabéns pelo post.

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