Feliz Dia Das… – As Felicitações que o Capitalismo nos Impõe

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Acredito que muitos não se dão conta da forma como o capitalismo manipula as nossas mentes no intuito de nos levar ao consumismo desbragado. Enquanto muitos de nós não percebemos ou, melhor dizendo, ignoramos as situações adversas que são criadas pelo mundo de consumo, o grande capital explora de nossas paixões imediatas para nos fazer consumir, consumir e consumir…

Não crêem no que falo? Então, acompanhem o calendário anual do capitalismo, de acordo com as nossas paixões, laços familiares, relações interpessoais, crença e estilo de vida.

Iniciamos o ano fazendo um back-up. Ano Novo, Vida Nova e novas necessidades de consumir. Afinal de contas, estamos começando um novo ano e a satisfação de comprarmos mais é imediata. É o famoso bordão “Ano Novo, Tudo Novo”. Só esquecemos-nos de um mero detalhe. Além das necessidades de consumo criadas, as pessoas já começam o ano endividadas, por conta dos gastos das festas de fim de ano, e os impostos que surgem no efeito avalanche no mês de janeiro; IPVA, IPTU, material escolar, dentre outras cositas más.

Passada a euforia no “Happy New Year”, temos agora (diga-se de passagem, pra quem gosta) o Carnaval. Este é o momento de continuarmos extravasando nossas energias e com elas nossos bolsos. Carnaval no Brasil é uma tradição, e, seja em Salvador ou no Rio de Janeiro, a grande massa quer participar. O que significam mais gastos. Porque carnaval é o tempo de descanso de muita gente, férias e com isso a necessidade de um descanso prazeroso é mais que urgente. E aqui em Salvador, temos a indústria dos blocos de carnaval, na qual as pessoas se endividam pelo ano inteiro, afim de “curtir” apenas dois ou três dias pulando feitos loucas atrás de um caminhão acústico vestidas com um pedaço de tecido (o abadá) que custa uma fortuna. Ou seja, novamente o capitalismo criando e determinando novas necessidades.

Passou as férias, chega o tempo de organizar a casa ainda em ritmo de comemoração, (ou extorsão, como queiram). Começamos março, e neste mês temos o Dia Internacional da Mulher, que já perdeu seu significado histórico há muito tempo, e ganhou a roupagem mercantil. Com isto mais presente, mas grana tirada do teu bolso.

Iniciamos abril nada mais e nada menos com a Páscoa, mês cristão que fecha o período da Quaresma iniciado no Carnaval. A enchente de ovos de chocolate que enfeitam as lojas de conveniência da cidade, os grandes centros comerciais. Tem de todos os tamanhos e sabores, e mais, pra todas as idades. É até pecado não comprar.

Passado o abuso do capital com a fé cristã, entra maio e com ele o Dia das Mães. Qual é o filho desnaturado que se atreve a não comprar aquele perfuminho de marca famosa ou celular de última geração para compensar todo o desprezo e descaso que teve com a sua genitora durante todo o ano? É até heresia, afinal de contas, até quem não tem mãe compra o presente e arranja uma figura simpática e materna e presenteia. Parece loucura o que falo, mas este é o espectro do capitalismo para nos ludibriar, criando novas necessidades de consumo a todo instante.

Nesta conversa prosaica “meiamos” o ano. Chegamos a junho, e o que temos? Dia dos Namorados, que não é uma comemoração própria do Brasil. Esquecer de comprar um presente para o namorado ou namorada nesta data especial pode até acabar em divórcio. Os motéis fazem operação especial para atender a grande procura neste dia, pois se você esquecer de dar o presente, fazer juras de amor, sair com a pessoa amada e não acabar o dia no motel, meus amigos e minhas amigas, alguma coisa estará errada. Em Portugal, por exemplo, também tem o Dia dos Namorados ou Dia de São Valentim, que é comemorado em 14 de fevereiro. Aqui, a data é comemorada no dia 12 de junho, e se vocês ficarem um pouquinho atentos, a data antecede o Dia de Santo Antonio, originário português, e de tradição casamenteira.

Finalmente julho, e o que temos agora? Deixe-me ver, temos o Dia do Amigo.  Pois é, meus caros e minhas caras, esta também não é uma comemoração tupiniquim, foi importada. Aliás, neste país varonil e de mentalidade colonizada, o que não é importado? A data procede do 20 de julho de 1969, que se vocês não sabem foi o dia em o homem pisou na lua. Sim, mas qual a relação com o Dia do Amigo? De fato, nenhuma, mas parte daí a necessidade de adotar mais uma data, pois esta data foi criada pelo argentino Enrique Ernesto Febbraro.  Com a chegada do homem à lua, em 20 de julho de 1969, ele enviou cerca de quatro mil cartas para diversos países e idiomas com o intuito de instituir o Dia do Amigo. Febbraro considerava a chegada do homem a lua “um feito que demonstra que se o homem se unir com seus semelhantes, não há objetivos impossíveis”.

Perceberam? Não há relação de uma coisa com a outra, mas a necessidade de criar datas para que possamos gastar. O capitalismo mexendo até com as nossas relações interpessoais.

Ufffaaa!!! Agosto, e a gosto do grande capital temos o Dia dos Pais. Perceberam que passamos o ano inteiro em comemoração – Ops! em extorsão? Pois bem, o Dia dos Pais é mais que fundamental comemorar, não muito diferente do Dia das Mães em maio. Mesmo sabendo que, na realidade em que vivemos, muitos dos nossos filhos são filhos de mãe solteira em que os pais não são declarados (os homens são tradicionalmente negligentes com relação a reconhecer a paternidade e a criação dos filhos). Mas sempre há uma figura paterna na nossa vida, seja o tio mais próximo, o irmão mais velho que ajudou a nos criar e acabou se tornando a referência paterna na nossa vida, enfim. Temos de presentear!

O mês de setembro ao passar das minhas lembranças parece ser o único mês que se passa em brancas nuvens para o capitalismo. Até agora!

Chegamos a outubro, que já é intitulado pelas grandes redes de Mês das Crianças. E quem não comprar presente para uma criança comete um grande afronte ao capital pela maneira como este impõe a condicionante de compra. Quem é louco de não dar sequer uma lembrancinha à uma pequenina? Já viu, né! (Se uma criança ficar sem presente, poderá até desenvolver um trauma que comprometerá seriamente o seu desenvolvimento psicossocial). Coisas do capital.

Novembro. Affff, será que depois de tanto gasto não teremos um descanso? Não. Esta é a resposta do capital, um NÃO bem sonoro. Novembro é o mês de gastar com a primeira parcela do tão sonhado décimo terceiro salário. Tinham esquecido, não é mesmo? Pois saibam que o grande consumo, não. Afinal de contas, espera-se o ano todo por mais este abono salarial, que de abono não tem nada, para cair na gandaia – com tua grana.

Enfim dezembro. Dezembro é o mês das festas natalinas, mês da segunda parcela do décimo, e com este, presentinhos para toda a família. Mês em que se comemora o nascimento do Menino Jesus, em que as pessoas ficam “boazinhas” (pelo menos na teoria) e daí como estão todos em ritmo cristão, mais uma vez, vamos explorar. Gasta-se com comidas típicas, que chegam a preços estratosféricos, roupa nova, os inconvenientes e falsetas Amigos Secretos, que também é mais um incentivo ao consumo. Há os tão esperados presentes que comporão a árvore natalina e que todos na manhã de Natal serão contemplados e viverão felizes para sempre na festa do grande capital. Ah, não podemos esquecer que depois do Natal temos os festejos do Revéillon, Ano Novo, Tudo Novo. De novo.

Perceberam o quanto somos lesados e extorquidos durante o ano com esta famigerada mania de compra e necessidade de consumo? Agora cabe a vocês criarem seus métodos próprios para fugirem destas imposições capitalistas.

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  1. Mais uma comuna fazendo parte da esgotosfera paga a soldo com dinheiro publico!
    Vc com certeza e militante psol,pr,pt…essa corja toda que representa o atraso!
    Acorda povo gado!!!

  2. Pingback: O efeito pastoreio nas redes sociais | Escrevivência

  3. Paula, acho que para além desse consumismo que o capitalismo nos impõe. Penso que nós mercantilizamos os nossos sentimentos. AFINAL, como enfatiza algumas data comemorativas é necessário um bem material para representar a nossa admiração pelas pessoas. Confesso que era adepta a esse sistema, mas a cada ano tenho ME conscientizado e elaborei um calendário próprio… TODO DIA é dia da mulher, mães, dos pais, de renovação, do amigo, etc.

    AH! PARABÊNS…adoro os seus textos

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  7. Paula,
    gostei muito do texto.
    Realmente a sociedade capitalista, girando em torno do capital.
    E somos o tempo todo manipulados.

  8. Professor Rogério o que o senhor colocou é verdade e eu concordo com você.
    As pessoas gastam sem necessidade. E ficam a mercer do capitalismo.
    Isso pode muda.Eu gostei muito do seu texto, ele é bom.

  9. Parabéns Paula…
    Depois de tantos textos,só
    pude ler agora,mas a qualidade é muito boa,continue assim…
    Sucesso!!!

  10. ROGÉRIO VALEU, VC SEMPRE APARECE COM UM COLIRIO DE INFORMAÇÕES, VALEU CONTINUE SEMPRE ASSIM, UM FORTE ABRAÇO.

    • Cléber,

      Parece que você não prestou atenção a isso, mas eu vou explicar detalhadamente para não restar mais dúvidas: ESSE BLOG NÃO É MEU. Eu só li a nota, achei interessante e resolvi divulgar para os meus contatos.

      A dona do blog é essa pessoa aqui: https://escrevivencia.wordpress.com/category/sobre-mim/

      Dê os créditos e coloque os comentários endereçados a ela, pois do contrário ela poderá pensar que eu estou pegando os textos dela e dizendo que é meu. Isso é plágio, e plágio é crime.

      Eu quero tudo nessa vida, menos arrumar problemas com a justiça.

      Espero ter sido claro.

    • Olá Cleber Souza,

      Quem é Rogério, hein? Acho que houve um equívoco da sua parte. Esta postagem, bem como este blog, é de minha autoria.

      Agradeço a apreciação da leitura, mas recomendo que constate as informações acerca do autor.

      Ao lado direito da página do blog há um link intitulado “Sobre mim”. Lá você saberá quem é a autora ( que no caso, sou eu) e todas as informações pertinentes ao próprio blog.

      Até mais,

      Paula (autora do Escrevivencia)

  11. Parabéns, Aninha.

    Gostei bastante do texto!!! Estou esperando o lançamento do seu livro virtual. Nada de papel!!! Isso é inovar!!!

    Beijocas!!!

  12. Oi Paula,

    Adorei seu texto! Muito bom!
    Aliás, tenho acompanhado seu blog através da lista da FACED e queria te parabenizar pelas temáticas que você aborda e pela qualidade do seu texto.
    Muito bom mesmo!
    Continue escrevendo!
    Bjs.

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