A moral sexual da sociedade e a hipocrisia da mulher puritana

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Nas minhas andanças virtuais, recebi um link pelo Twitter da psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, a qual sigo faz pouco tempo e tenho verdadeira apreciação pelos seus escritos. Regina faz uma análise sucinta sobre a hipocrisia da moral sexual de algumas mulheres e o papel das prostitutas na sociedade. Enfim, vamos ao que, de fato, interessa. Nós (digo nós, porque também não estou alheia às ideias que aqui porei, até mesmo pela educação e moral cristã na qual fui criada), mulheres temos um conceito de prostituição muito torpe. Falo isto com propriedade, pelos motivos que já explicitei em linhas anteriores.

Vemos a prostituição como um ato impuro cometido sempre pela outra e não como uma ação mercante e rodeada de interesses, como esta sempre foi posta. Pode nos parecer incrédulo, até como já disse, pela visão que com o passar dos anos instituímos à prostituição, e pelos aspectos morais que lhe foram atribuídos.

O que não admitimos, de fato, é que as prostitutas não são meras comerciantes, que utilizam do seu próprio corpo – o que é uma vantagem, visto que elas têm matéria prima própria, comercialmente falando – para usufruírem de seu próprio negócio. Mas não se constitui uma relação simplesmente capitalista. Neste bojo podemos agregar os aspectos antropológicos, políticos e, sobretudo sociológicos que circundam esta atividade.

Deve-se atentar para o fato de que a prostituição, apesar de malvista e condenada publicamente, foi importantíssima para a preservação da moral cristã ao longo do tempo. Eram as prostitutas que salvaguardavam a “honra” das moças de família ao atender às demandas sexuais reprimidas dos homens. Pois se as mulheres tinham de casar virgens, os homens só podiam casar após terem comprovado publicamente o seu poder de macho – e o atestado de macheza era expedido pelas prostitutas. Modalidades sexuais consideradas “coisas de mulher que não se respeita”, que tanto as mulheres não se imaginavam fazendo com os seus maridos e estes nem sonhavam que as suas esposas sonhavam em fazer com eles, eram praticadas pelas prostitutas [isso não mudou; é assim até hoje]

A própria Regina Navarro discute em um dos seus artigos  que acreditava-se que a prostituição acabaria quando houvesse mais liberalidade sexual. Entretanto, o que se verifica hoje é que isso não aconteceu. Pelo contrário, a prostituição vem crescendo e se sofisticando cada vez mais. Isso acontece porque a maior liberalização do sexo levou as mulheres a exigir dos homens algo que eles nunca se preocuparam em oferecer, que é o prazer sexual às mulheres [não é por acaso que o número de separações só aumenta no Brasil]. Como proporcionar prazer à mulher não é simples [mas também não é um bicho de sete cabeças], e o homem não quer perder tempo com isso, basta contratar uma prostituta, pagar em dinheiro e pronto. Não é necessário ficar pensando se ela gostou, se ela se satisfez… Já está pago, o que ela quer mais?

Apenas faço uma síntese sucinta de como se dão as relações de interesse numa sociedade de moral cristã. E como detentoras desta pseudomoral e dos bons costumes, tratamos desta questão e lidamos com os aspectos convenientes às conjunturas sociais visando sempre mantê-las onde estão. E o modo como educamos nossas filhas para agir como prostitutas, e maquiamos na imagem da boa e pastoral conjuntura matrimonial não é sequer mensurado, quando na verdade se trata de valores da família.

O que questiono, na verdade é o que muitas mulheres, a fim de garantirem seu futuro próspero, fazem quando ofertam seu corpo, e o ato sexual em si. E estas mesmas mulheres condenam as prostitutas.

Meu questionamento parte desta hipocrisia em manter as prostitutas na vala da sociedade, enquanto que muitas mulheres, inclusive casadas, se submetem a ficar com um homem em troca do carro, do dinheiro na conta, da conta paga no motel mais caro da cidade, do jantar no restaurante mais bem frequentado, enfim.

O que há de diferente entra a prostituta e a mulher casada que quer garantir uma vida próspera e confortável? Não vejo nenhum aspecto antagônico entre si, pelo contrário, vejo muitas similaridades. O que de fato, as diferencia é que a prostituta sabe o preço e o tempo que seu contrato irá durar pela objetividade da relação com seu cliente. Já as mulheres “de família”, pagam um preço muito alto para obterem conforto e bem estar porque seu tempo de contrato as leva por quase uma vida.

Apreciem a essência do que aqui fora escrito, aqui, na fala da psicanalista, escritora e autora de A Cama na Varanda, Regina Navarro Lins, numa breve entrevista concedida à Rádio Metrópole de Salvador.

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  1. Uma prostituta é uma pessoa que abre mão de seu corpo e sua liberade para outra pessoa fazer o uso dela. É considerada uma relação marginal porque não sai nenhum bem para a sociedade desta relação. As mulheres que se casam com seus maridos nem sempre se submetem ao que eles podem dar de material a elas, pois fazem por amor ou outro tipo de troca, dessa relação objetiva a constituição de descendência, a relação é exclusiva, coisa que putas não fazem. No passado como vc diz o sexo não era fator tão importante como vocês engenheiros sociais criaram, o casamento era exigido assim que as pessoas se tornavam adultas e era compromisso sério. Hoje vcs incentivam as pessoas a terem mais e mais relações e parece que não adiantou muito não pois separações só aumentaram.

  2. Eu até concordaria se eu como mulher casada e sustentada pelo marido só quisesse o dinheiro. Na verdade uma prostituta pode ter muito mais dinheiro mas elas não têm ou raramente têm algo que as mulheres de família tem. As mulheres de família tem afeto de seus marido, dificilmente uma prostituta tem afeto de seus clientes. Uma mulher de família tem o amor de seus familiares. Dificilmente uma família tem orgulho de dizer que sua filha, sua irmã, sua neta é prostituta. Uma mulher de família tem respeito e prestígio social o que raramente uma prostituta tem.

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