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AH! BRANCO, DÁ UM TEMPO! CARTA ABERTA AO SENHOR MIGUEL FALABELLA

(Por Blogueiras Negras)

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Você me pergunta se vou dizer que você é racista, me responda você!

Racismo não é polêmica, muito menos rancor ou falta de humor. Mais que ninguém, que se pensa um defensor dos direitos de seus pares negros e portanto um aliado na luta contra o racismo, deveria saber disso. Deveria saber também que cogitar tal hipótese e ainda enumerar amigos negros para se defender, é viver num mundo tal de privilégio onde se pode rebater a crítica dizendo que as vozes de mulheres negras são apenas controvérsia, ou fazer um grande esforço para esconder o próprio racismo. Quem sabe os dois.

Ah! Branco, dá um tempo! Você diz que “dói” ver luta de seus colegas negros, menosprezados e invisibilizados por sua cor. No caso da mulher negra, tudo se agrava. Você certamente tem ciência das recentes e tristes notícias sobre Neuza Borges, uma das maiores atrizes que temos, mas que por seu lugar de mulher negra não encontra lugar na televisão brasileira. Vive na carne a falta da carne em seu prato porque a próxima novela não acontecerá tão cedo. Vai depender da “boa vontade” de alguém, não do seu talento.

Você me pergunta se o problema é o sexo ou “as nega”, querendo desacreditar nossas críticas fundamentadas não em pré-julgamento, mas em fatos veiculados na mídia. Notícias essas que agora dão conta que de repente a Globo, antes tão entusiasmada com seu projeto, parece que já não está tão feliz assim. Você argumenta que se trata de uma prosódia pura e simplesmente. Alega que o título da série veio de uma mulher negra. Aliás, me pergunto se essa mesma mulher recebeu os devidos créditos e bufunfa por sua colaboração já que foi descrita por você como nada mais que um estereótipo, alguém que não merece nome, muito menos sobrenome.

Não tem problema branco, vou enegrecer tudo novamente.

As negas, volto a explicar, não é uma questão de prosódia.

Tal expressão transforma o corpo da mulher negra em peça, como eram chamados os escravizados, a ser consumido por uma sociedade racista. Nos coloca no lugar de mercadoria de segunda mão que não receberá o mesmo tratamento da carne branca e delicada, aquela que não é “suas nêga”. A expressão é embuída não apenas de pensamento escravocrata, mas também de machismo, cujas consequências sentimos na pele por sermos mulheres negras. Trata-se portanto de uma dupla violência que categoriza mulheres de acordo com sua cor de pele, qualidade que determinará qual o valor e o lugar que têm.

Ainda sobre o nome da série, temo que muitas pessoas não saibam a diferença entre um adjetivo racista e um adjetivo comum. Na Bahia, nego e nega tem conotações diferentes das que tem em Recife, por exemplo. E dependendo do uso da frase, do tom com que se fala, de quem recebe e de quem envia a mensagem, você ofende ou elogia. No entanto, a construção “não sou tuas nega” não permite outro significado possível que não o racismo num contexto hediondo de 350 anos de escravização. E se alguém perpetua adjetivo racista, que nome isso deve ter? Ah! Branco, me diga você!

Sua ideia, aos olhos poucos atentos ou interessados apenas em gerar lucro, pode até parecer de grande monta. Porém, está longe de gerar visibilidade ou dignidade. Aliás, exatamente o contrário. Como quase sempre acontece com literatura e dramaturgia feita por brancos sobre negros, nos trata como simples objeto de estudo, algo que pode ser manipulado e observado justamente como você faz, nos ensina a professora Lígia Fonseca Ferreira. Nada mais é que negrismo e não negritude, como tem insistido o escritor e jornalista Oswaldo de Camargo.

Sim, estou dizendo com todas as letras que quem deve escrever para o negro e pelo negro deve ser ele mesmo, não uma pessoa branca. Chame isso de racismo reverso se quiser. Para gente o nome disso é visibilidade, esta sim capaz de nos ter algum benefício, com poderes para mudar o modo como seremos retratadas na próxima novela, na próxima minissérie. Sem isso, nada mudará, seguiremos sendo uma sociedade estruturalmente racista e machista onde a mulher negra nada mais é que um estereótipo para racista se divertir ou entreter.

Uma sociedade em que nós, mulheres negras, não somos protagonistas nem mesmo num seriado a quem damos o nome. Sim, as notícias têm mudado, mas as primeiras davam conta de uma branca como a atriz principal. Ela que, atrás de um balcão de bar, vai nos observar como animais num zoológico, ela quem fala em nosso lugar. Nossa história, sofrimento e capacidade de discursar sobre nós mesmas são meros detalhes. A narradora da trama, nesse caso narrador, é alguém isento desse mesmo sofrimento. Não é bobagem, nem caretice, nem ditadura do politicamente correto como alguns vão afirmar. É critica e zelo por nossa memória e existência.

Você argumenta que “um programa que refletisse um pouco a dura vida daquelas pessoas, além de empregar e trazer para o protagonismo mais atores negros” seria desejável. E na verdade seria mesmo. Desde que escrito, produzido e protagonizado por negros. Não por alguém que nem se deu ao trabalho de creditar a mulher negra que deu o título à série. Esse detalhe é causa e ao mesmo tempo consequência de todos os outros: a fetichização de nossa sexualidade e corpos, a ênfase nos estereótipos, a violência simbólica que a série representa.

Como pretender que nos desumanizar é visibilidade? Desde quando nos tratar como a carne mais barata do mercado como canta Elza, a Soares, é ser aliado? Ah! Branco, dá um tempo! Suas palavras apenas enfatizaram suas intenções, a cada parágrafo tivemos a certeza de que nossas críticas são fundamentais e muito bem fundamentadas, por isso incomodam tanto. Seguiremos denunciando o racismo e o machismo daqueles que se fiam no privilégio para destilar veneno e cometer tais violências contra a mulher negra.

Isso não é sobre sexo. É sobre denunciar um sistema perverso que exclui as mulheres negras de todas as esferas e nos torna menos que humanas. Sistema esse que também incide sobre o homem negro, alvo primeiro e preferencial da violência policial e da hipersexualização do seu corpo: o “homem do pau grande” é resultado da brutal animalização do corpo negro, sempre pronto pro sexo. Onde está a crítica desse sistema na televisão brasileira? De certo não está em seu seriado, muito menos em sua fala.

Repudiamos suas palavras porque fomos estupradas nas senzalas e continuamos a ser na dramaturgia feita por brancos sobre nós através de imagens estereotipadas em seriados, novelas e minisséries. Esse é um dos mecanismos que a aliança entre o racismo usa para se perpetuar: hipersexualizando a mulher negra que se torna desprezível para outros papéis sociais. Você fala da mulata quente, gostosa, fogosa. Somos muito mais que isso. Precisamos ser mostradas como as mulheres do dia-a-dia, que trabalham, dançam, fazem festa e querem sexo sim, mas que não são apenas isso.

Não estamos aqui menosprezando nem dizendo que não somos camareiras, domésticas, cabeleireiras: também somos trabalhadoras domésticas, cuidadoras. Mas sobretudo, com as nossas conquistas e a nossa luta, galgamos lugares, posições: somos diretoras, bailarinas, advogadas, publicitárias, escritoras, professoras e médicas. Onde elas estão no seu seriado? Será que elas não moram em Cordovil? Será que elas não estão nas periferias? Duvido muito. NÃO aceitaremos mais ser caricaturas! Por isso a critica vai além do nome da série, o que por si só é deveras problemático.

Ah! Branco, dá um tempo! Nem queremos crer que você está se comparando e recorrendo a Spike Lee para credibilizar seu trabalho. Não, nos recusamos. E não é somente porque Spike Lee é preto, é porque não vemos nada, absolutamente nada de crítica racial em “Sexo e as Nega” como vemos em “Faça a coisa certa”. O gueto é paisagem, mas também é a vida, é a teia, é o sangue do autor que não está só observando e contando sua versão dos fatos: Spike Lee está no gueto, ele é o gueto. E não alguém que não é “as nega”, alguém que pretende que nosso único objetivo de vida é ter um parceiro sexual.

E por favor, respeite nossa memória e retire suas palavras ao nos chamar de capitães do mato.

Não estamos perseguindo as atrizes negras desse seriado, muito menos as mulheres reais que são representadas pelas suas personagens. Quem conhece um pouquinho de história e dela faz um uso bem intencionado, sabe que existem outras versões além daquela em que fomos escravizados sem lutar, viemos sem resistência num navio negreiro. Não se faça de desentendido, quem criou capitães do mato não foram os próprios negros.

Acusar alguém de “se tornar capitão do mato” é algo muito mais complexo do que formular uma frase. É impossível que sejamos algozes de nós mesmos, isso é falácia. Retire sua fala e reflita sobre o que significa nosso boicote e critica que têm como alvo um modelo e um sistema historicamente racistas, em que nem o direito de falar, contar nossas próprias histórias e tecer criticas nós temos. Repito: isso não é uma caçada ao povo negro nem à mulher preta e pobre. É sobre o racismo enrustidamente manifesto, sem nem se sentir ou admitir.

Manifestamos profunda oposição a esse mundo, de quem bate e finge entender a dor daquele que apanha. Esse mundo onde racismo agrada, é piada pronta para gerar audiência e naturalizar o racismo. Estamos fartas do seu discurso, de programas que usam blackface, que transformam toda mulher negra em empregada doméstica ou mulata globeleza. Nossos corpos não espaço para seu deleite, divertimento, lucro ou usufruto. Nós somos mulheres negras de pena e teclado, ciosas e autoras de nossos próprios enredos e objetivos de vida.

Ah! Branco, dá um tempo! Quem nos silencia é racista sim.

 

Fonte original do texto: Blogueiras Negras

 

 
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Publicado por em 13/09/2014 em Publicações

 

A questão racial e o sistema prisional brasileiro (breve histórico sobre a marginalização do negro)

Por: Raphael Lisboa de Souza*

O sistema carcerário brasileiro tem cor. Essa é uma consideração, que infelizmente não pode ser vista como absurda, já que ao avaliar as condições humanas, em que a população negra foi submetida, será fácil perceber que, essa se encontra em grande vulnerabilidade social. Durante o pós-escravidão, a população negra brasileira, foi jogada a esmo, ficando a margem da sociedade, que via o ideal de “perfeição”, algo similar ao perfil europeu. Dessa forma, não houve nem um espaço para o negro, e nem para o indígena, no que tange a “evolução” da sociedade brasileira.

Durante o final do século 19 e começo do século 20, o Brasil passa por uma grande transformação em sua estrutura social e urbana. Com advento da segunda revolução industrial, e após os conhecimentos da evolução humana, proposta por Darwin, muitos dos valores, que antes eram considerados como normais- a escravidão que antes era vista como algo normal, passa a ser vista com maus olhos- foram caindo por terra. As lutas abolicionistas, que bebiam muito dos ideais positivistas, e evolucionistas da época, não tinham apenas o intuito de livrar o negro da senzala. Escritores abolicionistas como Joaquim Manoel de Macedo, afirmava que o contato do homem branco, com o homem negro, era algo extremamente danoso para o homem branco. As ideias que estavam sendo amplamente divulgadas nessa época, traziam em seu bojo um ideário, da existência de uma “raça superior”. Dessa forma, todas as raças consideradas não brancas, eram tidas como “menos evoluídas”.

Dentro dessa conjuntura os negros foram excluídos e tiveram suas imagens marginalizadas. Muitos por causa do descaso do Estado, e do restante da sociedade, sem poder gozar do status pleno de cidadão, terminaram por buscar alternativa em praticas ilícita. Nina Rodrigues e Thobias Barreto, dois dos principais divulgadores das ideias eugênicas, afirmavam que os negros se encontravam em situações degradantes, por causa da sua inferioridade racial. Recorriam a praticas da antropometria- mediam partes dos corpos como nariz, córtex cerebral, dizendo que pessoas que supostamente, tivessem traços fenotípicos de um negro, seriam marginais em potencial – estudos como esse, foram um combustível para o desenvolvimento da antropologia criminal. Um caso que pode servir como “ilustração” desses perfis de criminosos, foi o recente caso do ator que ficou preso 16 dias, sem ter ao menos uma prova cabal contra ele. A justificativa para tal prisão foi que ele parecia com um suposto assaltante. Não é preciso dizer que esse ator, era negro, e mesmo ele estando “bem vestido”, não escapou do estigma de ser um suposto bandido.

Seguindo essa lógica, o homem negro ficou mais longe da sociedade, e esteve mais perto do cárcere. Cabe dizer que de escravizado, ele passou a ser um “criminoso” em potencial, tendo seus hábitos, religiosidade, e imagem, passiveis de criminalização. Muitos foram presos apenas por estarem cultuando o candomblé, ou jogando capoeira (as casas de candomblé para funcionar, deveriam ser registradas na delegacia de jogos e costumes, e a capoeira foi proibida até a década de 30). Essa é uma forma evidente, que mostra o racismo estampado na historia da nossa sociedade. Racismo esse, que gerou sequelas existentes ainda hoje em nosso seio social.

Um fato histórico não fica enterrado no passado, longe do nosso presente. E sabendo disso, pode-se perceber os péssimos frutos colhidos por esse sistema excludente, que foi instaurado no Brasil durante anos. Atualmente, mais que da metade do numero de presos, são pertencentes à raça negra. Segundo o Departamento Penitenciário Nacional (2013) cerca de 54% dos detentos são pretos e pardos.Há quem queira recorrer para os estudos da eugenia,e afirmar que estes presos,são a prova viva dos experimentos de Nina Rodrigues.Muitos preferem ignorar o fato,que muitos desses que estão presos,são na verdade vitimas do racismo institucional.O racismo institucional,funciona basicamente,com ampla e total deficiência do sistema publico -falhas na educação,falta de emprego,lazer,aumentam a proximidade com a criminalidade.Segundo uma pesquisa,feita pelo IBGE (2010) aponta que,a taxa de alfabetização entre negros e brancos é algo completamente desigual.Os dados mostram que pretos e pardos apresentaram taxa de analfabetismo de 14,4% e 13% respectivamente,enquanto brancos apresentaram 5,9%.Com essa deficiência,só restam as vagas nos sub empregos,ou a criminalidade.

O sistema carcerário, não é apenas uma forma de corrigir um sujeito, por um ato infracional cometido. Ele na verdade, é uma forma de desumanização e exclusão da humanidade, da pessoa que venha cometer um delito. Para Foucault (1975) a prisão servia para manter os corpos “dóceis”, obedecendo as lógicas do meio social. Porém, as prisões se mostram como o local onde a redenção, e a inclusão do marginalizado, se tornam verdadeiros mitos, e o numero de reincidentes, se transformam em regras concretas. Essa precariedade do sistema prisional,mesclado com o racismo velado,faz com que muitos desses “marginais”, permaneçam na mesma posição social.

Esses agravantes devem ser resolvidos com seriedade, e devem ser enxergados como problemas urgentes. Não se pode mais ignorar o fato do racismo institucional, e ter a ignobilidade de não perceber os efeitos disso, dentro da nossa sociedade. Cabe tanto ao poder público, quanto ao restante da sociedade brasileira, um verdadeiro combate ao racismo, e uma verdadeira garantia de equidade e de humanização das minorias que se encontram em vulnerabilidade social. Só dessa maneira, será possível retirar a população negra da sombra da criminalidade.

 

* Licenciando em História pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, da Universidade Federal da Bahia.

 
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Publicado por em 30/07/2014 em Publicações

 

Ariano Vilar Suassuna, este sim vai fazer falta!

(*16 de junho de 1927 – † 23 de julho de 2014)

 

A cultura nacional hoje perdeu um dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta, grande cânone literário brasileiro. Ariano Suassuna foi uma figura célebre que exerceu com seriedade seu papel na arte de escrever e criar personagens, histórias e outras aventuras literárias. Natural de João Pessoa, radicado em Recife desde 1942, nordestino nato, ele conseguiu transpor as barreiras impostas ao povo da região Nordeste do país com seus escritos.

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Com respeito, desenvoltura e soberania levou sua arte aos quatro cantos do Brasil com a sobriedade que lhe era peculiar. Defendeu a sua obra e propagou seu rico conhecimento até os últimos instantes. E é com respeito que o reverencio.

Na última quarta-feira, há exatamente uma semana do seu falecimento, Suassuna esteve no Teatro Castro Alves, em Salvador, para ministrar uma aula-palestra. Hoje, com a notícia de sua morte, lamentei imensamente o fato de não ter estado presente na única e última oportunidade de sorver um pouco da sua sabedoria.

Membro da Academia Brasileira de Letras desde 1989, ocupante da cadeira de número 32, este célebre imortal escreveu obras como Auto de João da Cruz, Os homens de barro, Uma mulher vestida de Sol, Farsa da boa preguiça, e tantas outras, sendo a mais famosa adaptada para a TV no ano de 1999, O Auto da Compadecida. As interpretações de João Grilo e Chicó, feitas por Matheus Nachtergaele e Selton Mello, são memoráveis.

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Esta última trouxe um pouco do cotidiano do povo do sertão e quebrou rigores estéticos presentes na religiosidade cristã. Suassuna ousou inovar quando nos agraciou com o Jesus Cristo negro, estrelado por Mauricio Gonçalves. O ultraje do escritor provocou espanto, riso e muito incômodo. Mas quem disse que Jesus Cristo não pode ser negro? Ariano Suassuna mostrou que pode – até porque na região em que dizem que Jesus nasceu, ele jamais poderia ser branco, loiro e de olhos azul-piscina.

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É com esta nota publicada na Folha de São Paulo, em 07 de março de 2000, que rendo loas ao imortal romancista que ousou o novo, e desfez a lógica do padrão estético eurocêntrico presente na cultura brasileira.

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“Racismo e capitalismo

ARIANO SUASSUNA

Foi em 1955 que escrevi o “Auto da Compadecida”. Naquela época, com exceção do admirável “Teatro Experimental do Negro” – criado por Abdias do Nascimento -, os movimentos negros não se tinham, ainda, organizado no Brasil. Brasileiro branco e privilegiado que sou, os poucos acertos que, naquele tempo, me ocorriam ao refletir sobre o racismo originavam-se apenas de uma apaixonada busca da verdade e da justiça – coisa que, graças a Deus, desde muito moço nunca me faltou (às vezes acompanhada por uma indignação nem sempre medida e justa).

Foi a partir da década de 80 que, convivendo com Adelaide Lima, Josafá Mota e outros participantes do Movimento Negro Unificado, passei a ter uma visão mais clara sobre o problema dos negros, no Brasil e no resto do mundo. Passei a frequentar o MNU; e, no curso de uma de suas reuniões, tive oportunidade de ouvir uma verdadeira aula, pronunciada por Joel Rufino dos Santos, que explicou por que a sociedade brasileira encara com tanta naturalidade a tortura (desde, é claro, que praticada contra os pobres, os negros e os desvalidos de qualquer natureza): é que, durante quatro dos cinco séculos do Brasil “branco”, a tortura era não só tolerada ou permitida, mas legal e prescrita por documentos oficiais. Chegava-se a discriminar, cuidadosamente, caso a caso, o número de chibatadas e castigos piores que deveriam ser aplicados aos escravos, de acordo com a natureza e a gravidade dos “crimes” que tivessem cometido. “Assim formada” – dizia Joel Rufino dos Santos naquela aula -, “não admira que a sociedade brasileira branca ache que é natural prender e torturar os brasileiros pobres e negros por ela considerados como marginais.”

Noutra reunião do MNU, uma moça, Inaldete Pinheiro de Andrade, perguntou-me se, na época em que escrevera o “Auto da Compadecida”, eu já era devidamente esclarecido sobre o problema negro. Respondi-lhe que não. E ela retrucou que, mesmo assim, o aparecimento, no palco, do meu Cristo negro fora uma das grandes emoções de sua vida.

Agradecendo suas generosas palavras, contei como chegara a ele. Durante os dias em que escrevia a peça estava acontecendo, nos Estados Unidos, uma campanha destinada a impor legalmente a presença de crianças negras nas escolas brancas. Em revide, os brancos racistas organizavam manifestações contra a integração; e eu vi, na revista “Life”, a fotografia de um desses comícios: na frente do grupo de “brancos, anglo-saxões e protestantes”, uma mulher (aliás, e não por acaso, horrorosamente feia) exibia um cartaz no qual se lia: “Ao criar raças diferentes, Deus foi o primeiro segregacionista”.

Foi nesse momento que, movido por uma daquelas indignações a que me referi a princípio, resolvi apresentar como um negro a figura de “Manuel”, isto é, a imagem popular do Cristo que iria aparecer em minha peça. E concluo pedindo que se reflita um pouco para ver como são semelhantes, por um lado, a cabeça e o coração da mulher do cartaz e, por outro, a cabeça e o coração daqueles que afirmam que Deus é capitalista porque foi ele quem criou as desigualdades e injustiças do regime que tem no lucro e na produção a qualquer custo seu objetivo fundamental.”

(Clique aqui para ler o original da coluna.)

Os que dantes se foram estiveram só de passagem. Ariano Vilar Suassuna, mas popularmente conhecido como Ariano Suassuna, abre passagem para todas aquelas que admiram seu trabalho carregar consigo o conforto de ter tido uma pessoa do seu quilate entre nós, reles mortais.

 

P.S.: na caixa de comentários do texto que escrevi sobre João Ubaldo Ribeiro, um sujeito pediu para eu escrever um texto sobre Ariano Suassuna. Aqui está. Como disse o Capitão Nascimento, “missão dada é missão cumprida”.

 
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Publicado por em 24/07/2014 em Publicações

 

Rubem Alves se foi. Mais um ou menos um?

Parece que a bruxa está solta. Depois do imortal anticotista e escritor João Ubaldo Ribeiro, ontem foi a vez do escritor e educador Rubem Alves.

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Referência educacional no país, Rubem Alves, morre aos 80 anos deixando um imenso legado à educação no Brasil.

SQN para Rubem Alves.

Não consigo ficar consternada com a morte desse povo. Ele teve uma imensa contribuição para educação no Brasil. Teve, claro que sim. E isso eu não posso, nem devo negar. Ele contribuiu tanto, que não podia ter deixado sua passagem por esse plano em vão, e daí publicou isso aqui na Folha de São Paulo:

“RUBEM ALVES

“Crioulinha…” 02

As palavras são a carne do mundo; não podem ser substituídas por outras, ainda que mais verdadeiras

UMA DAS MEMÓRIAS felizes que tenho de minha infância me leva de volta à escola. Eu estava no terceiro ano primário. Era a aula de leitura. Não, não era aula em que líamos para a professora ouvir e corrigir. Ao contrário, era a professora que lia para nos deliciar. Foi assim que aprendi a amar os livros. Não aprendi com a gramática.

Dizem que os jovens não gostam de ler. Mas como poderiam amar a leitura se não houvesse alguém que lesse para eles? Aprende-se o prazer da leitura da mesma forma como se aprende o prazer da música: ouvindo. A leitura da professora era música para nós.

A professora lia e nós nos sentíamos magicamente transportados para um mundo maravilhoso, cheio de entidades encantadas. O silêncio era total. E era uma tristeza quando a professora fechava o livro. “O Saci”, “Viagem ao Céu”, “Caçadas de Pedrinho”, “Reinações de Narizinho”. Esses eram os nomes de algumas das músicas que ela interpretava. E o nome do compositor era Monteiro Lobato.

Mas agora as autoridades especializadas em descobrir as ideologias escondidas no vão das palavras descobriram que, por detrás das palavras inocentes, havia palavras que não podiam ser ditas. Monteiro Lobato ensina racismo. E apresentam como prova as coisas que ele dizia da negra Tia Anastácia…

A descoberta exigia providências. Era preciso proibir as palavras racistas. Monteiro Lobato não mais pode frequentar as escolas…

Assustei-me. Senti-me ameaçado. Fiquei com medo de que me descobrissem racista também. Tantas palavras proibidas eu já disse.

É preciso explicar. Naqueles tempos, tempos ainda com cheiro da escravidão, havia um costume… As famílias negras pobres com muitos filhos, sem recursos para sustentá-los, ofereciam às famílias abastadas, brancas, para serem criados e para trabalhar. Assim era a vida. Foi assim na minha casa. Veio morar conosco uma meninota de uns dez anos, a Astolfina, apelidada de Tofa. Escrevi sobre ela no meu livro de memórias “O Velho que Acordou Menino”. Cuidou de mim, dos meus irmãos, e morou conosco até se casar. Acontece que, ao contar sobre ela, eu usei uma palavra que fazia parte daquele mundo: “crioulinha”. Era assim que se falava porque essa era a palavra que fazia parte daquele mundo. Imaginem que, obediente à “linguagem politicamente correta”, eu, hoje, tivesse escrito no meu livro “uma jovem de ascendência afro”… Não. Esse não era o mundo em que a Astolfina viveu.

As palavras são a carne do mundo. Não podem ser substituídas por outras, ainda que mais verdadeiras, ainda que sinônimas. É preciso dizê-las como foram ditas para que o mundo que foi fique vivo novamente. A história se faz com palavras que faziam parte da vida. Aí, então, se pode explicar, como nota de rodapé: “Era assim. Não é mais…”.

Estou com medo de que as ditas autoridades descubram que usei a palavra racista “crioulinha” para me referir àquilo que, hoje, seria “uma jovem de ascendência afro”.

Estou, assim, tomando minhas providências. Para que não coloquem meu livro no “Índex” vou apagar a palavra “crioulinha” do texto e, sempre que precisar me referir à Tofa, direi que ela era uma governanta suíça e ruiva, uniformizada de branco e touca, para evitar que fios de cabelo caíssem na comida… Assim, meu livro purificado do racismo poderá frequentar as escolas…” 03

 

(Clique aqui para ler o texto original)

Não comemoro a morte “dozoto” como dizem por aí. Até porque uma pessoa quando morre, ao contrário do que muito se especula, não está pagando seus débitos com o mundo pelas mazelas que cometeu. E segundo minha crença, quando alguém morre, o ser passa desse plano para outro para dar seguimento à sua vida, só que noutro plano.

No candomblé, apesar de não ser adepta da religião, diz que quando uma pessoa morre ela vai do Orum para o Aiê, que equivale à terra e céu, no cristianismo.

Rubem Alves foi um grande pensador contemporâneo que contribuiu no campo educacional de modo significativo. Sim, isso é fato. Mas apesar de tamanha colaboração, ele também execrou “minorias” frente a políticas sociais que prezam por restituições históricas.

Saliento que ele não foi o único, pois João Ubaldo Ribeiro, Monteiro Lobato, Ziraldo, Isaías Alves e Rubem Alves, cada um no seu tempo, inferiram e propagaram ideias que não se coadunavam aos propósitos de luta das políticas sociais que vem a muito custo ganhando espaço no cenário nacional, e que é fruto da atuação da militância negra no país. Tão logo, a morte dele só pediu passagem para mais um que se opunha às políticas de ações afirmativas, e menos um que vai fazer falta, a não ser para quem o aprecia e pelo legado que deixou na educação no Brasil.

Enfim, é isso.

 

 

 
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Publicado por em 20/07/2014 em Publicações

 

João Ubaldo Ribeiro morreu. Já foi tarde.

Morre João Ubaldo Ribeiro, escritor baiano, natural da Ilha de Itaparica, membro ocupante da cadeira de nº 34 da Academia Brasileira de Letras, autor de diversos livros, sendo os mais conhecidos, Viva o Povo Brasileiro e Sargento Getúlio.

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Devo reconhecer sua importância como escritor para nossa literatura, mas devo salientar também sua atuação constante nos últimos anos em prol da reserva de mercado para cidadãos não-negros no Brasil.

Se vocês não sabem, que se apropriem, pois é importante saber, principalmente para quem encampa a luta antirracista no Brasil, que João Ubaldo, assim como seu conterrâneo baiano, Caetano Veloso, foi um dos signatários do manifesto intitulado “Centro e treze cidadãos não racistas contra as leis raciais”, enviado ao STF em abril de 2008, mais conhecido como “Carta dos 113“.

João Ubaldo morreu, meu povo. Que pena. Afinal de contas, ele deixou um legado muito singular na literatura nacional. Mas confesso que já foi tarde, pois quem leu sua grande obra Viva o Povo Brasileiro sabe bem a simpatia do autor com as ideias propagadas lá na década de 1930 por Gilberto Freyre, com seu ideal de democracia racial. Isso sem falar que, politicamente, ele estava no lado oposto da luta que encampo. Pois eu, cotista, mulher preta e favelada, oriunda de universidade pública federal, por definição, não posso estar do mesmo lado de um sujeito que assinou um documento para tentar acabar com a reserva de vagas para estudantes pretas e pobres no ambiente acadêmico brasileiro.

Vai-se mais um escroque desse mundo. E caso vocês fiquem estupefatos com esse monte de “atrocidade” que digo aqui, tudo bem. Se não quiserem acreditar em mim, nenhum problema. Apenas tenham a curiosidade de ler o documento citado acima no qual João Ubaldo e demais safardanas iguais a ele assinaram e enviaram ao STF no ano de 2008.

Sei que já se passaram seis anos, e como bem dizem por aí, brasileiro tem memória curta. O povo não se lembra do que comeu ontem, quem dirá de quem te chibateou no século passado. Afinal, como foi dito por um personagem do filme Besouro, “é só receber um afago que o povo logo se esquece das chibatadas”.

Ah! Só mais uma coisinha, minha mãe costuma dizer a seguinte frase quando algum malfazejo morre: “ele morreu, na alma dele cago eu”.

Foi assim. Falta, pelo menos para mim, não vai fazer.

 

 
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Publicado por em 18/07/2014 em Publicações

 

Vinte e três crianças terão as suas vidas salvas pela doação de um jogador alemão. E as outras, nós vamos deixar morrer à míngua?

A notícia que badalou os jornais de hoje, 17 de julho, e agitou também as redes sociais: O jogador Mesut Özil, titular da Alemanha, doou cerca de 880 mil reais do seu patrimônio privado, grana faturada com a conquista do tetracampeonato na Copa do Mundo 2014 no Brasil, para salvar a vida de 23 crianças brasileiras doentes.

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Devo considerar que fora um ato de tamanha nobreza a doação feita pelo alemão às criancinhas pobres do Brasil. Mas uma coisa que também pude observar foi a pedestalização de muitos por aqui ao jogador, sem falar nos comentários do tipo: “Cadê os jogadores da seleção brasileira que não fizeram a mesma coisa? Grande Özil! Os alemães mostraram que também são campeões de humildade” e otras cositas más.

Mas devo dizer que:

1. Doar seu próprio patrimônio a crianças miseráveis que não tem do que viver, ou sequer saúde pública de qualidade, não faz ninguém melhor ou pior que outrem;

2. Dinheiro pessoal é de uso pessoal. Desculpem a redundância, mas o dinheiro que a gente ganha, só nós decidimos o que fazer com ele. Se quisermos comprar uma esquadra inteira de maconha, ou uma coleção que caiba no Maracanã de jatinhos para fazermos escalas RJ/Búzios, como nas novelas “manoelescas”, ou encher carros-tanques de água potável e comida para os subnutridos do Malawi, isso é unicamente decisão de quem doa. É um ato de vontade, no qual ninguém poder meter o bedelho. É muita babaquice fazer enquete social sobre o destino do pecúlio de cada um;

3. A doação do jogador só exibe o que nós já sabemos e hipocritamente sequer mencionamos: o descalabro da saúde pública no Brasil. Sim, porque se esse tal de Özil não doasse esse montante, essas 23 crianças morreriam antes mesmo de chegar à adolescência, assim como todas as outras que não receberam o benefício do compadecimento alheio e irão pro céu na próxima curtida que você der numa nota sobre essa bendita doação do Özil;

4. PQP!!! A imprensa brasileira deveria ter vergonha de divulgar uma notícia como essa. Quando, na verdade, o que está por trás da cortina é o câncer social da falta de saúde pública eficiente, em que muitas de nós morremos nas filas dos hospitais, mulheres dão à luz na rua por não encontrar vaga nas maternidades públicas, ou até mesmo muitos morrem na porta pedindo socorro;

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5. Precisou vir um europeu da casa da porra para ver a merda que é saúde pública no Brasil para se compadecer e doar essas migalhas de 880 mil reais. Sim, são migalhas. Essa grana, ele faturou só num campeonato jogando apenas sete partidas. Ele fatura muito mais que isso – em euro, o que é melhor – com o contrato que mantém com o Arsenal, e as campanhas publicitárias que abarca.

Ahhhhhhhh, mas que isso, Paula, você também, hein? Chata pacas.

Pode ser, mas cada um expressou sua opinião aqui nos comentários que exaltavam o jogador europeu, daí resolvi explanar alguns pontos dessa deficiência disfarçada de benemerência.

E ponto.

 

 
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Publicado por em 17/07/2014 em Publicações

 

É possível produzir um filme infantil sem clichês machistas e sexistas? Malévola nos mostra que sim.

Fui ao cinema esta semana a fim de ver a comédia Os Homens São de Marte… e É pra Lá que Eu Vou, mas como os ingressos da sessão a que pretendia assistir haviam se esgotado, acabei ficando sem opção. Foi quando resolvi aceitar a sugestão de uma espectadora na fila do cinema que falou maravilhas sobre o filme Malévola. Dizia ela que o filme era lindo, muito bom, super-recomendado e tales coisas. Resolvi acreditar e fui conferir.

 

Logo no início, me perguntei o que estava eu fazendo ali vendo um filme sobre fadas. Imaginei que havia caído numa cilada sem tamanho. Ninguém merece sair de casa para ver comédia e terminar vendo fadas.  E isso me atormentava, mas já que estava ali, o jeito era se conformar e ficar até o fim. Era o tipo: “tá no inferno, abraça o capeta”.

Mas a película me surpreendeu – positivamente, é claro. A mensagem embutida nos filmes de bela adormecida normalmente recorta a mocinha que dorme num sono profundo e só despertará com um beijo de amor verdadeiro a ser dado por um príncipe ou seu amado.

Nesse sentido, Malévola ganha pontos por trazer outro viés do beijo de amor verdadeiro.

De fato, há uma princesa que cai no sono da morte após furar a ponta do dedo indicador direito numa roca de fiar e só despertará com um beijo de amor verdadeiro. E este beijo é dado por um príncipe inicialmente, mas a bela não desperta quando é beijada.

O tão amoroso beijo que irá despertá-la é o dado por uma fada, aparentemente má, interpretada por Angelina Jolie, na personagem que dá nome ao filme. E que também é a fada madrinha que lançou o feitiço sobre a bela adormecida.

A trajetória do filme circula em meio à vingança de Malévola a Aurora, a bela adormecida, interpretada pela jovem Elle Fanning, filha do rei Phillip, interpretado pelo ator Brenton Thwaites. Seu então amigo de infância.

Quando criança Malévola vivia numa terra de fadas, enquanto Phillip era um curioso menino do mundo dos humanos que rondava sua terra. Mas Phillip cresceu no mundo dos humanos, e com ele a ambição tornou-se seu maior defeito.

Pois, foi vivendo numa corte que surgiu a possibilidade de ele se tornar rei do esplendoroso castelo e adquirir direitos e poderes pomposos. Mas para isso, ele teria de conquistar a terra das fadas para os humanos e acabar com sua anfitriã, Malévola.

A amizade que ambos tinham não permitiu que este a matasse e a trouxesse como prêmio, mas fez com que ele tirasse parte de seus poderes. Foi quando resolveu cortar suas asas, que eram preservadas pela fada desde criança.

Sem as asas, Malévola não só perdia parte dos seus poderes, mas toda a confiança depositada num humano que ela tinha como amigo. Furiosa, ela resolve se vingar lançando o tal feitiço a Aurora, filha do seu amigo traidor.

Para além do beijo de amor verdadeiro dado por Malévola em Aurora que fez com que esta despertasse do sono da morte, a película recorta também a ideia que se faz sobre as relações de amizade, e quebra clichês maniqueístas.

No filme o bem não vence o mal, ou vice-versa. O que há é uma fada que pensava ter um amigo, mas quando traída mostra toda sua fúria, fazendo-o percebê-lo que uma doce amizade quando enganada pode se transformar num furor irreparável.

A quebra de clichês que o filme traz é muito positiva, no sentido de desconstruir essa visão machista presente nos filmes infantis de que toda menina/mulher precisa de um grande amor para despertar ou viver.

É aquela ideia de que a mulher não possui desenvoltura suficiente que a faça viver feliz sem a presença de um homem. Na tradição fílmica, machismo e sexismo se correlacionam. Malévola consegue quebrar esse encanto sem precisar de um macho para isso.

Tem outro ponto relevante acerca do conceito maniqueísta de mundo em que o bem e o mal, o céu e o inferno, o belo e o feio se opõem. Na trama, há o bem e o mal numa só pessoa. Não há dissociação do que seja uma pessoa do bem, ou uma pessoa do mal. E isso advém da construção do ethos, que na filosofia fala sobre a construção do caráter do indivíduo.

Ou seja, mais que um filme, Malévola é uma nova roupagem dada às produções fílmicas voltadas para o público infantil. E tem sido positivo o recorte e as mensagens embutidas em suas tramas.

Devo considerar que este também não é uma perfeição do cinema que se lança nas telonas. Mas devo ressaltar a magnitude em não referendar o machismo e/ou sexismo em mais um veículo de informação ao público.

Descortinar clichês também desfaz essa nuance bíblica presente nos filmes que tanto se repete no nosso cotidiano. E isso tem de ser considerado.

As coisas estão mudando, meu povo. A passos muitíssimo lentos, a bem da verdade, mas estão mudando.

 

 

 
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Publicado por em 27/06/2014 em Publicações

 
 
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