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A História das Coisas

01 jul

 

Este pequeno vídeo retrata uma análise explícita da origem das coisas no mundo. Mas que coisas são essas, afinal? As coisas às quais este documentário faz referência são os bens de consumo. O que sustenta a economia desses materiais; seu processo de extração, produção, entrega e consumo. Tudo isto num sistema linear que se contrapõe ao nosso habitat que é de um planeta finito. E o melhor de tudo (pode parecer piada) é que a produção deste vídeo é estadunidense. Os Estados Unidos são o maior emissor de poluentes do planeta, deste mesmo planeta finito que o vídeo aborda. É a maior sociedade de consumo. Uma sociedade descartável, onde ninguém conserta nada e que o que vale é ter. E não foi à toa que o ex-presidente George W. Bush não assinou o Protocolo de Kyoto.

Neste sistema, há pessoas que trabalham em todas as etapas da produção, mas isso não é evidenciado pela maioria dos estudos. Pessoas umas mais importantes que outras neste ciclo de produção e consumismo. Há as pessoas operárias que produzem e descartam o que consumimos, e há as que são representadas pelo governo, como grande detentor dos bens de produção e controladoras destes bens, e que desviam metade do que gastamos com estes bens para os militares. E por que os militares? A indústria armamentista dos Estados Unidos alimenta e abastece grandes guerras mundiais. Grande parte dos conflitos armados que acontecem ao redor do mundo tem o dedo podre do EEUU. Eles abastecem com armamento bélico e poderio financeiro nações que vivem em guerras constantes, em troca do apoio político. Na busca de aliados para sustentar sua devastação mundial, como tem feito em todo o mundo.

E por que estas pessoas que representam o governo, ao invés de atender as necessidades básicas, que seriam saúde e educação para todos, mantêm um pacto com as grandes corporações, desviam mais do que necessário para o consumo? Simplesmente porque este mesmo governo vive em função da tão sonhada e preservada Seta Amarela, que é o grande trunfo deste sistema de produção, a grande máquina de consumo. Para melhor esclarecer o que é esta valiosa Seta Amarela, basta avaliarmos como funciona o sistema de produção, desde sua extração até a chegada em nossas casas como receptores finais do que fora produzido. Ao extrair o produto, paga-se pouco pela sua extração devido à fase bruta em que se encontra, e, para ser “lapidada” pelas grandes corporações, esta matéria-prima vai à fábrica para ser transformada em bem de consumo por trabalhadores e trabalhadoras braçais que representam a base da pirâmide na escala social. Isto quer dizer que a matéria-prima transformada em produto ganha forma a baixo custo, porque o que se paga a estes profissionais não corresponde a um terço do preço que ele possa atingir do mercado. E até mesmo o transporte de carga destas mercadorias é de baixo valor pela qualidade dada ao meio de transporte que fora adotado e pela quantidade que é carregada. Quanto mais produto, mais barato fica o custo ao transportar. E onde entra mesmo esta tal Seta Amarela? Entra no valor que as grandes corporações subtraem quando paga mal o funcionário da fábrica, quando não se paga pela mercadoria extraída e obtém lucro de matéria-prima explorada, quando paga a baixíssimo custo o cargueiro da mercadoria e ainda nos materiais utilizados para a confecção daquele produto que é de baixa qualidade e de efeito efêmero, devido à sociedade descartável na qual todos nós fazemos parte.

Estas corporações juntas são maiores que o poder do governo, e por isto, detém boa parte do sistema de produção do qual fazemos parte. Seja como consumidores ou como produtores, que representam a ponta do iceberg, pois o cerne não é visível.

Os Estados Unidos são a nação que detém boa parte do que consumimos atualmente. Coordena um sistema de consumo e produção desbragado, a fim de ostentar o que chamamos de Sociedade de Consumo (uma sociedade, na qual quem não possui nem compra muitas coisas não têm valor).  Isso ganhou força logo após a II Guerra Mundial, devido aos estragos causados pela guerra e que deviam ser supridos com bens materiais.

Um exemplo mais recente desta afirmação está no atentado de 2001 às Torres Gêmeas, em que o presidente George W. Bush orientou a população que comprasse, comprasse e comprasse, porque só comprando, alimentado seus desejos mais íntimos de consumir é que elas poderiam esquecer – se é que se pode esquecer um atentado daquela dimensão – e aliviar suas perdas materiais. E nisto não estão inseridas as perdas físicas, pois o número de vítimas fatais foi devastador.

E não somos muito diferentes dos Estados Unidos não. O ex-presidente Lula também fez isso aqui no Brasil. Em dezembro de 2008, em meio à crise internacional causada pela implosão financeira do sistema imobiliário nos Estados Unidos, foi a público dizer que as pessoas deveriam comprar, comprar e comprar, pois se elas estavam com medo de comprar para não perder os seus empregos, elas poderiam perfeitamente perder os seus empregos porque não compraram.

Este sistema funciona do seguinte modo: consiste na extração, que é a exploração dos recursos naturais. Quando estes não são suficientes no espaço dos EEUU, é necessário pegar recursos naturais dos outros, ou seja, dos países pobres ou do dito ‘‘terceiro mundo’’. Nestes países, suas riquezas são subtraídas ao mais alto nível. Depois desta fase tem-se a produção, a partir do que fora extraído, e para isto é feito o uso de tóxicos. Toxinas inseridas no processo de produção industrial e que chega às nossas casas, escolas, trabalhos e também ao nosso corpo. Sem contar o fato de que os produtos destas toxinas depois de descartadas são levados às ilhas que são verdadeiros depósitos sanitários de países como os EEUU, pois não há espaço territorial suficiente para acolher tudo que fora desprezado. Então estes lixos são enviados para outros países para serem acumulados longe da sociedade que a produziu.  Um exemplo claro são as ilhas existentes entre o Japão e o Havaí que é maior do que a área territorial dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Rio de Janeiro juntos. E que boa parte do lixo eletrônico dos países ricos é descartado em Gana, na Índia e aqui no Brasil. Todo mês, um navio abarrotado de computadores e celulares velhos saem da Califórnia com destino a um porto brasileiro.

Dentre estas toxinas, temos a neurotoxina. Um exemplo simples de neurotoxina encontra-se nos travesseiros que temos em nossa casa e que usamos todos os dias para dormir. Estas toxinas se acumulam ao longo da cadeia alimentar e se concentram em nosso corpo.

Como exemplo da concentração e da transmissão das toxinas no nosso corpo, temos o leite materno, que é o alimento do topo da cadeia alimentar com o nível mais elevado de químicos tóxicos, sendo, portanto, os bebês, menores membros do ciclo vital, a receberem estes químicos logo no início da vida. E por que isso? Simples: o quadro de trabalhadores destas fábricas é composto majoritariamente por mulheres, mulheres estas em idade reprodutiva, que se constituem pessoas sem alternativa de trabalho expostas a estas toxinas.

E nestas fábricas onde a confecção de produtos é constante para manter o grande ciclo, as toxinas saem como produtos – materiais que consumimos – e subprodutos – poluição. Poluição esta que afeta o ar com a fumaça dos veículos produzidos em grande escala e sem a menor preocupação de reduzir a emissão de gases poluentes no ambiente. Afeta também mares e rios deixando-os impróprios para uso, atingindo as espécies de seu habitat. Com isto aumenta a extinção, o que reduz a cadeia alimentar produtiva. Há também as precipitações climáticas oriundas dos efeitos poluentes da confecção destes produtos. Escassez fluvial, temperaturas elevadas a níveis extremos, chuvas irregulares, indefinição das estações.

A mesma estratégia dos EEUU de extrair recursos naturais para suprir sua sociedade de consumo, também funciona na lotação das fábricas, pois os EEUU mudam estas fábricas poluidoras para outros países, a fim de poluírem outros lugares, mas como tudo isto é um ciclo, esta poluição acaba voltando trazida pelos ventos. É o efeito do ciclo vital e da vida em cadeia.

Mas há uma concessão do governo de países pobres para estas empresas que são isenções fiscais para que estas fábricas se instalem. Além da diminuição de seus impostos, muitas dessas empresas ganham com o marketing social da falseta “empresa cidadã”, ou seja, subtrai mão de obra barata, recursos naturais, vendem produtos de baixíssima qualidade e repassam parte dos seus gastos para o contribuinte, com o grande número de impostos que atribuem ao produto. Isto porque, os países pobres são fontes preciosas de mão de obra barata. É por causa disso que as empresas estadunidenses e europeias querem instalar fábricas nos países pobres.

Por conta disso, ainda temos a perda de espaço dos recursos naturais que são pagos com este sistema de produção de produtos vendidos a baixíssimos preços. Neste processo voraz, para além da perda de áreas que foram exploradas, temos a perda do ar puro, perda do futuro das crianças que são submetidas por estas grandes fábricas a deixar a escola para trabalhar mais de doze horas em troca de uma remuneração pífia, que não pagam seu sustento, perda também das condições básicas de seguridade social, tal qual o seguro de saúde.

Tudo isto em prol de um produto de baixa qualidade e baixo custo posto na prateleira do supermercado e das lojas que frequentamos, a fim de saciar nossa necessidade íntima de consumir cada vez mais. Por quê? Porque não é interessante exteriorizar o custo desta produção.

E com toda esta febre consumista, nos tornamos cada vez mais consumidores em potencial, porque temos nosso valor medido e mostrado pelo que consumimos, para que possa manter os produtos circulando.  Vivemos numa cadeia, seja esta produtiva ou de consumo. Quando na verdade 99% das coisas que consumimos vão para o lixo em menos de seis meses. E novamente pergunto o porquê de tudo isto. Simples: porque as coisas são fabricadas com base na obsolescência planejada, que é quando os produtos criados para irem para o lixo – copos descartáveis, guardanapo, papel higiênico -, e da obsolescência perceptiva, quando consumimos produtos que foram feitos para ser descartados ainda em perfeito estado de uso, isto porque mudou-se a aparência do produto, ou, no melhor da expressão comum da sociedade de consumo, o produto caiu em desuso.

Vejamos o exemplo dos aparelhos celulares. A cada dia é lançado um modelo novo no mercado. E o que fazemos com o que já temos? Jogamos fora, afinal de contas, novo modelo, nova tecnologia, novo design, novas funções e aplicativos. Sem falar na pressão social que sofremos quando não trocamos um produto num curto espaço de tempo. Significa dizer que estamos obsoletos, desatualizados, quiçá decrépitos. O mesmo acontece com os computadores. Há um modelo e uma configuração nova a cada temporada, quando na verdade seus componentes são os mesmos, o que muda é apenas um pequeno aplicativo de configuração, que, para cada novo modelo, ganha uma forma diferente que não se encaixa no computador velho que temos em casa. O que quer dizer que teremos de descartar tudo que ainda serve por conta de uma peça que não se encaixa. Este exemplo se aplica ao que aconteceu recentemente com o meu computador. O equipamento não ligava, a fim de resolver o problema chamei um técnico em informática para que verificasse o que havia acontecido. Ele disse que o botão de ligar está quebrado e que este não pode ser trocado. O que tem a fazer na verdade é trocar toda a caixa do gabinete, de quase dois anos de uso, que é tempo consideravelmente longo para a obsolescência de um computador. Ou seja, para resolver o problema de um botão será necessário descartar todo um equipamento em perfeito estado.

Para esta obsolescência há algumas contribuições da moda, que determina o que devemos usar a cada temporada, e o que devemos descartar porque caiu em desuso ou simplesmente saiu de moda. Porque se não nos adequamos aos ditames da moda, não estamos contribuindo para aquela Seta Amarela citada no início do texto.

A mídia também desenvolve um papel fundamental neste processo de consumo e descarte. Isto porque ela dita o que devemos e o quanto devemos comprar. Já percebeu a quantidade de mensagens publicitárias que são despejadas em cima de nós todos os dias e em todos os espaços que frequentamos? Em casa, quando ligamos a TV, na rua com os outdoors ou nos letreiros digitais, nas fachadas dos shoppings, nos meios de transporte coletivo, enfim, em quase todo espaço visível e habitado.

Neste círculo vicioso trabalhamos muito, e o tempo livre que temos passamos em frente a TV e fazemos compras, ou seja, sustentamos cada vez mais esta bola de neve aumentando ainda mais os níveis de produção das grandes corporações. Vivemos numa progressão contínua de trabalhar, consumir e produzir.  Produzindo cada vez mais lixo, mais tóxicos

E para onde vai o lixo que produzimos? Parte do que descartamos vai para um aterro ou é incinerado, e ao ser incinerado, este lixo produz uma nova toxina chamada dioxina. E por que não tentar a reciclagem? Não é válida? É sim, mas não suficiente. As campanhas de reciclagem de lixo destinam-se só a produção doméstica, que é a ponta do iceberg, ou seja, esta responsabilidade de tratar o lixo é repassada para nós consumidores, como se fosse possível tratar dos grandes problemas mundiais mexendo apenas nas baixas estruturas deste ciclo produtivo. Sem contar que nem tudo pode ser reciclado, a exemplo das caixinhas de suco que encontramos no mercado. Estas caixinhas são revestidas de metal, plástico e papel, difícil de serem removidas porque estão coladas, logo não podem ser recicladas. A reciclagem também não é incentivada por causa do custo. É muito caro reciclar lixo – principalmente lixo eletrônico. É infinitamente mais barato produzir uma garrafa pet nova do que reciclar uma garrafa já existente. Por isso, não é interessante para as grandes indústrias investir em programas de reciclagem do lixo que produzem.

O mesmo acontece quando se fala em racionar consumo de água porque a água do mundo está acabando. As ações domésticas de fechar uma torneira quando estiver lavando louças, diminuir o tempo do banho, não lavar a calçada não surtem efeito na redução deste gasto desbragado. Parte da solução está nas reservas agrícolas que abastecem sua produção por meio de processo hídrico elevado, o que faz com que grande parte desta água que se diz está acabando, evacue.

E o que faremos para evitar maiores danos à natureza quando extraímos quase tudo que se tem de recurso natural? Contamos com a colaboração das pessoas unidas ao longo do sistema. O governo desempenhando seu papel, oferecendo os subsídios básicos e necessários a uma vida social digna, as corporações visarem o consumo sustentável e consciente para que se possa ter uma sociedade mais justa e consciente de seu papel.

Para isso, é fundamental destruir a lógica do capital. Pois enquanto esse sistema que visa o lucro a qualquer preço prevalecer, nada mudará. Tudo continuará desse jeito, até o dia em que morreremos todos por não ter água para beber, terra para plantar, rios para pescar, espaço físico para construir nossas casas e colocar as montanhas de lixo e vegetação para amenizar as temperaturas já insuportavelmente altas. Mudemos enquanto é tempo, ou do contrário…

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1 comentário

Publicado por em 01/07/2011 em Publicações

 

Uma resposta para “A História das Coisas

  1. Manuel

    02/07/2011 at 12:22

    Homen tem dominado homem para o seu próprio prejuízo. (Está no livro sagrado) “Deus arruinará os que arruinam a Terra”.

     

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